sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Como uma dieta saudável pode se tornar um transtorno alimentar: ortorexia

É só abrir uma revista feminina e lá está o conselho, dizendo-nos o que devemos ou não comer e quais as últimas dietas da moda. Estudos recentes mostram, entretanto, que a última dieta da moda ou a obsessão por consumir apenas alimentos saudáveis pode estar a causar danos à saúde física e mental das pessoas. Já existe até um nome para este suposto transtorno alimentar: ortorexia.

Aparentemente aqueles que desenvolvem o transtorno tornam-se tão preocupados com a pureza daquilo que comem que se negam diversos grupos alimentares. Enquanto aqueles que apresentam anorexia nervosa restringem a quantidade do que comem, os que apresentam ortorexia são obcecados com a qualidade dos alimentos e eliminam de suas vidas itens como sal, açúcar, cafeína, álcool, trigo, glúten, fermento, soja e derivados do leite, além de qualquer alimento que contenha aditivos. Nos casos mais graves, a adesão rígida a estas regras leva o indivíduo a evitar comer em restaurantes ou na casa de amigos, colocando pressão nos relacionamentos sociais.
Aparentemente a ortorexia parece alinhar-se com as doenças do espectro obsessivo compulsivo, já que o objetivo não é a perda de peso, mas a qualidade dos alimentos. Além disso, pacientes com anorexia tendem a manter sua condição em segredo enquanto aqueles com "ortorexia" falam muito de suas dietas e fazem mesmo pregações aos conhecidos. Outra diferença parece ser a idade dos indivíduos afetados pela ortorexia: maiores de 30 anos, de classe média e em geral com bom nível de escolaridade. Em geral, eles passam horas lendo as últimas pesquisas sobre alimentos, peregrinam por lojas de comida saudável e passam muito tempo planejado seus menus.

O termo ortorexia nervosa foi cunhado em 1997 para descrever pessoas que desenvolvem uma fixação com alimentação saudável e embora seja referido em diversos sites e publicações como um transtorno mental não é um termo reconhecido medicamente.

Diagnóstico

Embora a ortorexia não seja um transtorno mental reconhecido pela CID-10 ou pelo DSM-IV e nem haja planos de incluí-la no DSM-V, alguns profissionais que trabalham com transtornos alimentares utilizam o termo para documentar os resultados da condição em seus pacientes.

Foto: http://www.metro.co.uk/lifestyle/852166-you-can-be-too-healthy

ResearchBlogging.org
Hepworth K (2010). Eating disorders today--not just a girl thing. Journal of Christian nursing : a quarterly publication of Nurses Christian Fellowship, 27 (3) PMID: 20632480

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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Santa Catarina de Siena: Anorexia mirabilis

Vou passando, como a sombra que declina; sou atirado para longe, como um gafanhoto.
De tanto jejuar, os joelhos me vacilam, e de magreza vai mirrando a minha carne.
Tornei-me para eles objeto de opróbrio; quando me vêem, meneiam a cabeça
Salmo 109, 23-25

Este post é mais uma patografia, um estudo retrospectivo da vida e doença mental de uma figura histórica.

Catarina de Siena
Catarina de Siena, nasceu Catarina Benincasa em 25 de Março de 1347 em Siena, na Itália, filha de um tinturador de roupas e neta de um poeta local. Catarina nasceu em meio a epidemia de peste negra, que assolou sua região. Sua mãe estava na casa dos 40 anos quando deu à luz prematuramente às gemeas Catarina e Giovanna. Giovanna foi cuidada por uma ama-de-leite e morreu cedo, enquanto que Catarina foi amamentada por sua própria mãe e desenvolveu-se em uma criança saudável. Sua mãe já tinha tido 22 filhos quando Catarina nasceu, mas metade destes havia morrido. Após 2 anos, sua mãe deu à luz a seu 25o. filho, outra menina que se chamaria Giovanna, como a bebê falecida.

Catarina relatava ter tido sua primeira visão de Cristo aos 5 ou 6 anos de idade. Aos sete anos de idade ela jurou castidade, um voto comum entre meninas da época, que geralmente era abandonado quando atingiam a puberdade. Naquela época uma menina encontrava-se pronta para o matrimônio aos 12 anos de idade, passando a usar maquiagem e encaracolar e aloirar o cabelo. Catarina, entretanto, não se interessou por qualquer destes aspectos, acreditando que estes ofendiam a Deus. Como era muito próxima de sua irmã mais velha Bonaventura, a família solicitou que ela aconselhasse Catarina, que conseguiu convencê-la de que vestir-se no seu melhor e cuidar-se não ofendiam à Deus. Por anos Bonaventura manteve sua influência sob Catarina.

Entretanto, Bonaventura morreu durante o parto. Catarina sofreu muito com sua morte e passou a acreditar que sua irmã morrera como consequência dos prazeres terrestres que Catarina tanto queria evitar. Ela acreditava que fora fraca ao ceder às vontades da irmã para se vestir melhor e como consequência, Deus havia mostrado sua fúria ao levar para junto de si sua irmã mais amada. Em menos de um ano Giovanna também morreu. Ainda a se recuperar do luto e culpa das duas mortes, Catarina viu-se presa aos desejos dos pais que queriam que ela se casasse aos 16 anos com o viúvo de Bonaventura.

Completamente contrária aos desejos de seus pais, Catarina passou a jejuar de forma intensa, um ato que aprendeu com Bonaventura, cujo marido não era nada agradável: todas as vezes que ele a maltratava, Bonaventura recusava-se a comer até que sua atitude melhorasse. Aparentemente tal fato ensinou a Catarina o poder que o jejum pode ter nos relacionamentos. Ela cortou o longo cabelo, para desespero de seus pais e irmãos, que passaram a ameaçá-la de violência se não melhorasse seu comportamento. Para lidar com a hostilidade em casa, Catarina passou a ver seu pai como Cristo, sua mãe como a Virgem Maria e seus irmãos como Apóstolos, servindo-os humildemente no que considerava uma oportunidade para crescimento espiritual. Eventualmente seu pai desistiu de tentar mudá-la e permitiu que vivesse como quisesse. Ela passou a vestir até a morte uma camiseta/camisola de correntes que fería-lhe a carne, dormir em um banco de madeira com uma pedra por travesseiro/almofada e a martirizar-se 3 vezes ao dia por uma hora com uma corrente de aço: uma vez por seus pecados, uma pelos pecados dos vivos e uma pelos dos mortos.

Sua mãe desesperava à vista de sua filha emaciada e torturada e muitas vezes Catarina ficava deprimida, chorosa, dizendo-se atormentada por espíritos malignos. Após uma visão de São Domingos de Gusmão, ela decidiu aderir à ordem dos Dominicanos, contrariando os desejos da família. Sua mãe levou-a às águas termais de Bagno Vignoni para que sua saúde melhorasse e para que se esquecesse da ordem. Ao invés de relaxar nas águas mornas, Catarina procurava os locais mais quentes das termas para se queimar. Ela ficou gravemente doente, com uma erupção cutânea, febre e dores, o que convenientemente fez com que sua mãe aceitasse sua decisão. Dias após Catarina recuperou-se completamente para vestir o branco e negro do hábito das freiras. Ao invés de viver no convento, sua família mudou-se para os arredores do mesmo e continuou ao viver com ela. Catarina entretanto, custava-lhes muito caro: com seu hábito de doar comida e roupas sem pedir-lhes permissão, sua generosidade custou muito à família. Ela negava-se a comer com os famíliares e recusava a comida, referindo que havia uma outra mesa posta para ela, no Céu, com sua família verdadeira.

Catarina dedicou grande parte de sua vida a ajudar os doentes e os desprovidos, cuidando deles em hospitais ou em suas casas. Devido à sua caridade, ela ajuntou um grupo de seguidores que viajou com ela por todo a Itália central e norte, advocando por uma reforma do clero e por uma nova crusada, pedindo ao povo que se arrependesse dos pecados e se renovasse através do "amor total de Deus".
Em 1378, aos 31 anos, Catarina mudou-se para Roma onde trabalhou junto ao papa Urbano VI, onde viveu até sua morte em 1380 aos 33 anos. Dado que Jesus aparentemente morreu com a mesma idade e que Maria Madalena, ídolo de Catarina, aparentemente jejuou por 33 anos, há indícios de que sua morte tenha sido um suicídio passivo por desnutrição.

Com o passar dos anos, Catarina comia menos, dizendo não encontrar nutrição na comida terrena. Ao invés de comer, ela recebia a Comunhão todos os dias. Mesmo seu confessor e as freiras acreditavam que sua dieta não era saudável e temiam um escândalo, ordenando que Catarina se alimentasse apropriadamente. Catarina, entretanto, dizia-se incapaz de comer, descrevendo sua inabilidade como uma doença. Ela vomitava tudo o que engolia e sofria de dores de estômago. Quando forçada a alimentar-se, Catarina introduzia galhos na garganta para provocar vômitos. Ela preferia servir comida aos pobres, muitas vezes a horas peculiares, e buscava "nutrição" neste contato. Muitas vezes ela sugava o pus da ferida dos doentes. Após estes episódios, sua saúde deteriorou-se e sua dieta consistia apenas de Hóstias Sagradas e pus.
Conforme Catarina adoecia, seu confessor e biógrafo desistiu de suas tentativas de fazê-la comer, assim como sua família havia desistido dela anteriormente. Uma crise que se abatia sobre a Igreja fez com que Catarina parasse também de beber água em Janeiro de 1380, de forma a atrair atenção à sua mensagem de unidade. Como não houve resultado, ela parou o jejum extremo,mas já era tarde para assegurar sua sobrevivência.
Após diversos milagres, o Papa Pio II canonizou Catarina em 1461.

Anorexia mirabilis

Segundo pesquisadores e estudiosos, Catarina de Siena sofria de Anorexia mirabilis, que significa "falta de apetite milagrosa". Esta condição parece referir-se quase que exclusivamente a mulheres e adolescentes da Idade Média que jejuavam, muitas vezes até a morte, em nome de Deus. O fenômeno também é conhecido como inedia prodigiosa (jejum progidioso).

A anorexia mirabilis parece diferir da anorexia nervosa de diversas formas: na anorexia nervosa, o paciente geralmente faz dietas para obter um nível de magreza, já que a doença é associada a imagem corporal distorcida. Já na anorexia mirabilis, a dieta é frequentemente associada com outras práticas ascéticas (renúncia de prazer) como a virgindade, comportamento autoflagelante, dormir em camas de espinhos e outros tipos de automutilações.

Vale lembrar que até recentemente, um corpo mais cheinho era visto como um claro sinal de afluência e boa colocação social enquanto que um corpo emaciado era um claro sinal de pobreza ou doença. Apenas na época Vitoriana as mulheres passaram a fazer dietas drásticas na busca pela beleza exterior. Até então, a dieta rígida era associada a engrandecimento espiritual.

Muitas mulheres notoriamente recusavam qualquer alimento que não a Eucaristia, demonstrando não apenas sua devoção à Deus e Jesus, mas também a separação entre o corpo e o espírito. Que o corpo pudesse existir por extensos períodos sem alimento dava às pessoas da época uma clara imagem de quão mais forte, e portanto mais importante, o espírito era. Não importava, na opinião popular, que os períodos de jejuns femininos fossem impossivelmente longos (de meses a anos). Eles simplesmente adicionavam significado especial a esta conquista feminina.

A prática da anorexia mirabilis reduziu-se bruscamente durante a Renascença, quando passou a ser vista pela igreja como herética, socialmente perigosa e possivelmente inspirada pelo demônio. A prática sobreviveu até o final do século 19, quando parece ter sido substituída pelo transtorno alimentar mais popular nos dias de hoje, a anorexia nervosa.

O corpo feminino, sexualidade e misticismo na Idade Média

Reda e Sacco escreveram uma análise da anorexia sagrada tendo Catarina de Siena como figura principal do artigo. No texto, eles dissecam a anorexia mirabilis da Santa contextualizando-a no período medieval em diferentes dimensões que resumo a seguir:

O corpo feminino na Idade Média
Naquela época, o controle, renúncia e tortura do corpo físico eram entendidos não apenas como rejeição do físico mas aceitação do divino

O corpo feminino como expressão da sexualidade
O corpo curvelíneo de uma mulher era visto como produto da própria mulher, enquanto que o corpo masculino era uma criação divina. De certa forma esta visão ecooa na sub-expressão da sexualidade de anoréxicas modernas, que buscam uma sexualidade infantil na redução dos caracteres sexuais secundários.

Manifestações físicas como afirmação de regras Místico-Religiosas
A anorexia e outras manifestações corpóreas davam à mulher medieval uma oportunidade única de afirmar seu poder sobre as regras místico-religiosas. Se uma mulher estivesse destinada a um casamento não desejado, a religiosidade extrema poderia libertá-la desta condição. Uma renúncia completa do corpo tornava possível que uma mulher alimentasse, expressasse e experimentasse suas sensações e desejos como manifestações de fé e expressão religiosa.

A influência da religiosidade no mundo atual

Huline-Dickens (2000), em seu artigo descreve como a herança judaico-cristã implicitamente operativa nas sociedades ocidentais influencia a vida moderna com seus símbolos religiosos e conceitos de gênero que reforçam os papeis sexuais tradicionais. Visões negativas da feminilidade são inevitáveis quando as mulheres são consideradas a causa do pecado e do mal e existem estudos que demonstram que autoagressão passiva, autopunição, frustração e raiva podem estar associados a tais valores com consequências como depressão, agorafobia e transtornos alimentares sendo mais observados em mulheres.

Ainda de acordo com as escrituras, o pecado foi introduzido no mundo pelo ato de comer. A este seguiu-se a desobediência da primeira filha, Eva. Como a cobiça causou o pecado, abstinência do alimento pode ser visto tanto como penitência como um meio para redenção do pecador e para se conectar com um pai distante. Cobiça, na forma de gula, é um dos sete pecados capitais na teologia Católica. Sentimentos de culpa com relação ao pecado de comer são muitas vezes expiados com a mortificação da carne (seja por punições ativas ou pelo emagrecimento progressivo).

Conclusão

Ainda hoje existem debates se a anorexia mirabilis é um diagnóstico válido dentro do contexto dos modernos transtornos físicos e psicológicos. Muitos acreditam que a motivação religiosa e ascética exemplificada neste texto por Catarina de Siena negam a ela a classificação atual de anorexia e as restrições dietárias auto-impostas ocorridas na época eram um fenômeno completamente diferente do que testemunhamos hoje. Além disso, é de se argumentar que a anorexia nervosa apenas surgiu na idade moderna e é definida dentro de certos valores culturais (como sociedades ocidentais).

Por outro lado, pode-se debater que os motivos que levam a um quadro de anorexia nervosa variam mesmo nos dias de hoje e são os sintomas físicos (emagrecimento, amenoréia, etc) e psicológicos que provêm o denominador comum aos diversos casos. Embora geralmente associada à crença de se estar acima do peso, uma imagem corporal distorcida pode levar ao medo de ser uma glutona e à crença de que ceder à fome pode ser um sinal de fraqueza ou até mesmo pecado.

Para a anoréxica a perda de peso significa autodisciplina e conquista, enquanto que o ganho de peso simboliza falhança e falta de autocontrole. A doença é geralmente associada a certas tendências societais e é mais prevalente em sociedades nas quais o alimento é abundante e facilmente disponível. Na época de Catarina de Siena, porém, a Fome espalhava-se pela Europa e os monastérios eram os maiores provedores de alimento para as comunidades. Entretanto é válido observar que não apenas Catarina, mas a vasta maioria das mulheres rotuladas anoréxicas mirabilis na época vinham de famílias com boas condições financeiras, nas quais o alimento provavelmente era facilmente encontrado. Além disso, a anorexia parece ocorrer mais em culturas nas quais a magreza é concebida como atrativa. Embora tal argumento soe como um fenômeno moderno, no auge do período monástico o ascetismo era um ponto central da prática religiosa devota e assim a magreza representava o oposto da gula e poderia ser um status altamente desejável.

Referências

ResearchBlogging.org
Feuerbacher H. (2006). Saintly Sickness: Catherine of Siena as a Prototype of Holy Anorexia.

Huline-Dickens, S. (2000). Anorexia nervosa: Some connections with the religious attitude British Journal of Medical Psychology, 73 (1), 67-76 DOI: 10.1348/000711200160309

Rampling, D. (1985). Ascetic ideals and anorexia nervosa Journal of Psychiatric Research, 19 (2-3), 89-94 DOI: 10.1016/0022-3956(85)90003-2
Reda M., Sacco G. (2001). Anorexia and the holiness of Saint Catherine of Siena. Journal of Criminal Justice and Popular Culture, 8(1) (2001) 37-47 

Wikipedia. Catherine of Siena.

Wikipedia. Anorexia mirabilis

A seguinte referência não foi utilizada neste texto mas acredito que vale a visita para quem se interessar sobre o assunto:
Griffin, J., & Berry, E. (2003). A modern day holy anorexia? Religious language in advertising and anorexia nervosa in the West European Journal of Clinical Nutrition, 57 (1), 43-51 DOI: 10.1038/sj.ejcn.1601511

O artigo faz uma análise da propaganda de produtos alimentícios que assumem uma característica religiosa (como o sorvete/gelado Magnum "Pura tentação") e sua influência na anorexia nos dias de hoje.

Fotos:
http://todustyoushallreturn.files.wordpress.com/2009/04/st-catherine-of-siena-circa_1746_by_giovanni_battista_tiepolo.jpg

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quarta-feira, 10 de março de 2010

Narciso e Eco: as prisioneiras do espelho e do discurso

Research Blogging Awards 2010 Finalist
Nos últimos posts escrevi algo sobre mitologia grega e me lembrei dos laços que amarram as áreas psi ao classicismo grego. A mitologia grega foi uma de minhas primeiras paixões adolescentes, quando comecei a "colecionar" mitos em meu diário, e influenciou grandemente a escolha de minha carreira. Além do mais, o últimos posts sobre psicopatia foram um bocado "pesados" e gráficos e sinto a necessidade de discorrer hoje de uma forma mais lírica.

Uma boa história deve sempre começar do começo:

Zeus, rei dos deuses Olimpos, era terrivelmente mulherengo e adúltero. Hera, sua esposa, deusa da casa, já estava cansada de saber de suas escapadelas e era muito ciumenta. Zeus não discriminava ninguém: deusas, mortais ou ninfas - espíritos femininos associados a um local particular, especialmente florestas. Para garantir suas escapadelas Zeus empregava a ajuda da bela ninfa Echo, famosa por adorar argumentos e ter sempre a última palavra, que costumava tocar instrumentos e contar longas histórias para sua mulher enquanto ele desaparecia pelas florestas. Quando Hera descobriu que estava a ser enganada, ela puniu a comunicativa ninfa roubando-lhe a voz, deixando-lhe apenas a humiliante capacidade de repetir palavras gritadas. Assim, tudo que Echo poderia fazer era repetir a voz de outrem e ter sempre a última palavra.

Certo dia, ao andar pela floresta, Echo viu Narciso a caçar veados. Narciso era tão belo que sua mãe (uma ninfa) preocupou-se com seu bem estar quando ele nasceu (era comum os deuses se invejarem e punirem pessoas ou outros com habilidades fenomenais). Ela recorreu a um oráculo que lhe disse "Narciso viverá uma longa vida, desde que não se conheça". Pois Echo não pôde resistir à beleza de Narciso e pôs-se a seguí-lo, enquanto desejava ardentemente falar-lhe na voz mais suave e ganhá-lo em conversações. Ela esperou impaciente para que ele lhe falasse primeiro, para que pudesse respondê-lo.

Um dia, separado de seus companheiros de caça, Narciso finalmente gritou, "Quem está aí?", ao que Echo respondeu "Aí". Narciso olhou ao redor e não encontrou ninguém, dizendo "Venha", ao que Echo respondeu "Venha". Como mais uma vez não apareceu ninguém, Narciso gritou novamente, "Porque me atiças?" e Echo respondeu com a mesma pergunta. "Vamos nos encontrar", disse o rapaz. O coração da ninfa dava saltos quando ela respondeu o mesmo, a correr para onde Narciso se encontrava, pronta para enroscar seus braços no pescoço dele. Mas Narciso, devido a sua beleza, era arrogante e bruto e ao ver Echo deu passos para trás exclamando, "Não me toque. Eu preferia morrer do que permitir que você me possua!". "Me possua", Echo respondeu, com seu coração a partir e em vão. Narciso a abandonou ali e ela foi esconder-se entre os arbustos nos limites da floresta.

Deste dia em diante, Echo passou a viver em cavernas, ravinas ou precipícios. Seu corpo emagrecia de dor e desaparecia progressivamente, até que um dia toda sua carne encolheu-se até sumir. Seus ossos transformaram-se em rochas e tudo o que sobrou dela foi sua voz que ainda se encontra pronta a responder a qualquer um que grite por ela, mantendo seu hábito de ter sempre a última palavra.


A crueldade de Narciso, não parou por aqui. Ele agiu da mesma forma arrogante para com as outras ninfas. Uma donzela, que havia esperado em vão por seu amor, rezou para que ele um dia sentisse o que era amar e não ser correspondido. Como escrevi antes, os deuses punitivos e invejosos ouviram a prece e tiveram grande prazer em concedê-la. Ártemis, deusa da caça, foi quem encontrou uma forma perfeita de puní-lo.

Enquanto Narciso caçava, ele encontrou uma fonte clara e espelhada em Donacon, na Téspia e, quando se curvou para beber, ele viu sua imagem refletida. Por mais que tentasse tocar a belíssima pessoa refletida nas águas, ele nunca conseguia: cada vez que ele estendia os braços para ela, ou tentava beijá-la, a imagem fazia o mesmo, apenas para desaparecer quando a água era perturbada e voltar minutos depois, em um jogo de sedução e fuga.

Narciso chorou quando viu que não conseguiria ter aquela pessoa refletida e quando suas lágrimas tocaram a água, a imagem desapareceu. Ele exclamou "Fique, deixe-me ao menos admirar-te, já que não posso tocá-lo". Admirar a imagem passou a consumí-lo e ele perdeu a cor e o vigor nesta paixão doentia. A história de Narciso tem pelo menos três finais. Em um deles, ele finalmente sucumbe à sua louca paixão pela imagem e joga-se ao lago. Fraco, não consegue nadar e afoga-se. Em outro, Narciso finalmente entende que o objeto de sua paixão é sua imagem refletida e, louco por nunca poder possuí-la, mata-se com uma adaga ao peito. Uma terceira ainda, diz que ele apenas definhou progressivamente.

Quando a alma de Narciso foi levada pelo rio Estige, que separava os vivos dos mortos, ele não resistiu e olhou por sobre a canoa de Caronte (barqueiro dos mortos) para que ver seu reflexo pela última vez. As ninfas prepararam um funeral para ele, mas não conseguiram encontram seu corpo. No lugar onde Narciso morreu havia uma flor púrpura, cercada de folhas brancas, que traz seu nome e preserva sua memória.

A Metamorfose de Narciso, de Salvador Dali

As prisioneiras do espelho

A versão apresentada aqui é baseada no poema épico Metamorfoses de Ovídio, que parece ter sido o primeiro a fazer a conexão entre os mitos de Narciso e Echo. Nesta versão, o adolescente Narciso é irresponsivo ao desejo dos outros de aproveitarem de seu belo corpo. Ser desejado é não experimentar o desejo. Já Echo foi punida e silenciada por Hera por ter-se intrometido em sua vida conjugal. Echo é punida por permitir a sexualidade... Narciso por recursar-se a permití-la.

É interessante notar que muitos teóricos da anorexia relacionam a necessidade de suprimir a sexualidade madura como um dos apectos psicodinâmicos da anorexia. Emagrecer desta forma é não permitir-se exibir os traços sexuais característicos da mulher madura, como mamas, coxas, cintura e quadril. É negar-se as curvas que caracterizam a feminilidade e a sexualidade ativas da mulher. Muitos trazem que a busca na anorexia não é tanto pela magreza como ideal de beleza, mas pela sexualidade infantil, pela pureza e pela evitação da sexualidade real (como a história de Catarina de Siena, que descreverei em um post futuro).

Quando lemos termos como narcisismo, seja em Freud ou em textos científicos, vemos o conceito Ovidiano de enfatuação natural da juventude por si mesma. A versão do poeta é a que Narciso definha lentamente, assim como Echo. Ambos os mitos, desta forma, se encontram entrelaçados na anorexia, vista como uma elaboração narcísica patológica associada a rejeição deliberada da maturidade sexual.

A associação de Echo com a anorexia é clara, já que o mito descreve claramente seu progressivo emagrecimento e desaparecimento, um desejo comum das anoréxicas: tornar-se vento, leve, borboleta, perder a forma e ter apenas voz. Já Narciso é mais complexo e ressalta as prisioneiras do reflexo, o obsessivo observar-se por horas à procura de defeitos irreais, na busca de atingir uma imagem da qual vale a pena enamorar-se.

Mesmo que se deixe o poético discurso psicanalítico de lado, avaliações psicométricas mostram que traços de personalidade narcísica e crenças narcisísticas são muito mais prevalentes em pacientes com transtornos alimentares (Sines et al., 2008). Bulímicas parecem ter atitudes mais associadas aos traços narcisísticos catacterísticos enquanto que anoréxicas do subtipo restritivo (que fazem dietas constante e purgam menos) estão mais associadas à um narcisismo denominado "pobre de mim" por pesquisadores, no qual elas se veem frequentemente como mártires e vítimas de abuso (Brunton, Lacey, and Waller, 2005).

As prisioneiras do discurso

Quando se estuda o discurso de uma paciente com anorexia, este se encontra organizado sistematicamente em torno da obsessão pela própria aparência. Como Echo, a anoréxica vive permanentemente apaixonada por outro, que idealiza, buscando desesperadamente sua aprovação a ponto de perder sua identidade. Prisioneira deste amor, ela definha progressivamente transformando-se e num legado de voz (ideia).
Para a anoréxica, há uma ruptura sintática e o discurso sobre seu quadro se torna solto, fragmentário, um eco de seu pensamento sobre si. Na consulta destas pacientes há longos períodos de estrutura circular na qual os elementos se repetem insistentemente, com rítmo e racionalizações explícitas.
Pode-se extrapolar um pouco o mito e pensar que ouvir as justificativas para o corpo emaciado ("meu metabolismo é rápido", "eu como normalmente, apenas faço exercícios") são ecos de outras anoréxicas, estas na mídia, que insistem em negar a realidade quando questionadas diretamente.

Ainda sobre o discurso repetitivo, vemos a necessidade destas garotas de estar em contato umas com as outras, de forma a reforçar seus comportamentos e discurso. A internet trouxe uma nova fronteira às pacientes que sofrem de transtornos alimentares, ao criar a possibilidade de se associarem, estimularem, dar apoio em um meio no qual todas se comunicam na mesma língua do discurso da magreza e da necessidade de se fazer voz e vento.

Dentro do capítulo dos transtornos alimentares, muitas outras histórias e lendas podem ser contadas, de forma a ilustrar com metáforas e abordagens psicodinâmicas o desenvolver do quadro e a interpretação simbólica. Provavelmente escreverei mais sobre o assunto em outra data e talvez descreverei e dissecarei outros mitos gregos que podem ser relacionados a psicopatologia e condição humanas.


Referências:

ResearchBlogging.org

Brunton, J., Lacey, J., & Waller, G. (2005). Narcissism and Eating Characteristics in Young Nonclinical Women The Journal of Nervous and Mental Disease, 193 (2), 140-143 DOI: 10.1097/01.nmd.0000152784.01448.fe

González, A. B. (1998). Narciso y el doble en la literatura fantástica victoriana. Cuenca: Ediciones de la Universidad de Castilla-La Mancha

Guerrero, M. M. (2006). La palabra de eco: rasgos lingüísticos propios del discurso de una paciente bulímica. Trastornos de la conducta alimentaria, ISSN 1699-7611, Nº. 3, 2006 , pags. 208-227

Sines, J., Waller, G., Meyer, C., & Wigley, L. (2008). Core beliefs and narcissistic characteristics among eating-disordered and non-clinical women Psychology and Psychotherapy: Theory, Research and Practice, 81 (2), 121-129 DOI: 10.1348/147608307X267496

Fotos:
http://www.fineartprintsondemand.com/artists/poussin/echo_and_narcissus-400.jpg
http://www.salvadordali.hit.bg/gallery/Metamorphosis%20of%20Narcissus.jpghttp://www.salvadordali.hit.bg/gallery/Metamorphosis%20of%20Narcissus.jpg

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Modelo Sistêmico em Psiquiatria

Psicossomática

Modelo estrutural de S. Minuchin (1975)

A Terapia Familiar Estrutural foi desenvolvida pelo argentino Salvador Minuchin para lidar com problemas dentro de uma família. O terapeuta neste modelo tenta "entrar" no seio familiar durante a terapia para entender as regras invisíveis que governam seu funcionamento, mapear os relacionamentos entre os membros e finalmente, interromper relacionamentos disfuncionais favorecendo a estabilização do grupo em padrões mais saudáveis. Características notadas em famílias patológicas neste modelo incluem:

• Vulnerabilidade fisiológica
• Emaranhamento (alto grau de envolvilmento entre pais e filhos) – menor diferenciação do self?
• Superproteção
• Rigidez (às mudanças)
• Evitamento de conflitos (através de mecanismos como)
  • o Triangulação
  • o Coligação pai-filho
  • o Deslocamento
Minuchin acreditava que uma família é funcional ou disfuncional baseada em sua habilidade em adaptar a um ou vários estressores (Rigidez). Além disso, famílias tendem a ser subsistemas caracterizadas por uma hierarquia de poder, nos quais os pais tipicamente ocupam o "topo" da cadeia. Em famílias saudáveis, as fronteiras pais-filhos são claras, mas fluidas, o que permite a interação dos pais com filhos mantendo ainda graus de autoridade e permitindo a negociação dos objetivos parentais. As crianças não confundem os pais com outras crianças, estes permitem a interação dos pares (irmãos, amiguinhos) para socializar os filhos e não são rígidos ou desligados (ignorando as necessidades de suporte, educação e amor dos pequenos).

Já as famílias disfuncionais exibem subsistemas misturados (emaranhados) e hierarquias de poder impróprias: o filho é o rei da casa (por exemplo), trazido à alta hierarquia parental devido a um pai/mãe física ou emocionalmente ausente.

 Este modelo postulado foi inicialmente para a anorexia, asma e diabetes juvenil. Abordagem familiar estrutural: “Família Fortaleza” – muralha contra eventos externos, mas por dentro os indivíduos têm poucas delimitações, papéis pouco estabelecidos. Na anorexia os papéis da família rígida no desenvolvimento do transtorno, e da figura da mãe (ou pai) "intrusiva" na vida da filha são bem conhecidos e explorados (Hartman, 1995).

Terapia estrutural

Territórios
 Lutos
 Organização das refeições
 Saída
Não vou entrar muito no mérito da terapia propriamente dita. Vou apenas citar Grandesso:
As micro-práticas transformativas
Trata-se de um processo de terapia narrativa com ênfase nas micro-práticas transformativas no contexto da conversação que, através de um processo de questionamento, vem a desestabilizar as narrativas organizadoras dos problemas, dilatando seu horizonte e referência.
O resultado de tal processo de questionamento conduz à organização de histórias qualitativamente ‘melhores’ para o sistema, em torno dos “estranhos atratores”, fazendo referência à teoria do caos. (...) Sluzki considera que as narrativas que surgem no contexto das terapias organizam-se em torno de temas, muitos deles podendo ser considerados universais a qualquer que seja a família: perdas e luto, gênero, ciclo vital, transgeracionalidade e famílias de origem, lealdades e ética relacional, etnia e cultura, estrutura e organização da família, dentre outros.

Toxicodependência
Modelo estratégico-estrutural de M. Ducan Stanton e Todd (1982)

Pseudo-individuação
Primazia da família de origem face à família de procriação
Temática da morte

Um texto Duncan Stanton sobre a toxicodependência está disponível na íntegra nas referência

Alcoolismo
Famílias sob influência (Elkin, 1984)

Games people play: salvador, vítimia e perseguidor – “rescue triangle”
A família alcoólica (steinglass et al, 1987) – prevalência da homeostasia a curto prazo sobre o crescimento a longo prazo

Referências:

ResearchBlogging.org
Duncan Stanton, M. The Role of Family and Significant Others in the Engagement and Retention of Drug-Dependent Individuals. http://nida.nih.gov/pdf/monographs/Monograph165/157-180_Stanton.pdf

Grandesso, M. A. Desenvolvimentos em Terapia Familiar: das teorias às práticas e das práticas às teorias. Disponível na íntegra em http://www.dialogosproductivos.net/upload/publications/04092009174325.pdf

Hartman, D. (1995). Anorexia nervosa--diagnosis, aetiology, and treatment. Postgraduate Medical Journal, 71 (842), 712-716 DOI: 10.1136/pgmj.71.842.712

Kafka, P. (2008). Structural Family Therapy. An Effective Approach to Understanding and Healing Families http://clinical-psychology.suite101.com/article.cfm/structural_family_therapy#ixzz0gY0eE1qc

Minuchin S (1998). Where is the family in narrative family therapy? Journal of marital and family therapy, 24 (4), 397-403 PMID: 9801999

Foto: http://vig-fp.prenhall.com/bigcovers/0205543200.jpg

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Notícias em psiquiatria

A vida por um fio

Desde os 12 anos, Fernanda do Valle sofria de distúrbios alimentares. Aos 30, foi diagnosticada com anorexia, doença que estava tirando sua saúde. Depois de duas internações, ela resolveu escrever um livro no qual relata a saga pessoal e familiar rumo à sobrevivência

Veículo: Correio Braziliense
Seção: Saúde
Data: 19/02/2010

Bonita, jovem, bem-sucedida, carismática, extrovertida e prestes a se casar, Fernanda do Valle tinha tudo para ser considerada uma mulher feliz. Assim, pelo menos, parecia às pessoas que cercavam a turismóloga carioca. Ninguém, porém, sabia que ela guardava um segredo. Desde os 12 anos, era vítima de transtornos alimentares e, somente aos 30, recebeu o diagnóstico definitivo: Fernanda tinha anorexia(1).

A luta contra a doença teve início em março de 2008, incluiu duas internações, vigilância de enfermeiras 24 horas por dia, ganho e perda de peso, vontade de vencer, vontade de desistir, muitas sessões de terapia... e vai durar pelo resto da vida. “É como o alcoólatra, você tem de continuar o tratamento sempre”, contou Fernanda ao Correio. Na primeira vez em que ficou internada, ela resolveu escrever um diário. O texto cresceu, ganhou mais capítulos. Ela resolveu tirar o cadeado do caderninho e transformar sua história particular em um livro (leia trechos nesta página). “É uma forma de ajudar as outras pessoas a entenderem o problema. Tanto as que sofrem de anorexia quanto as pessoas próximas. Muita gente não compreende, e mesmo sabendo que é uma doença, acha que é frescura”, diz.

Fernanda deixou o trabalho no ramo de turismo para se dedicar às palestras e encaminhamentos médicos que faz — em Campinas (SP), onde mora, muita gente a procura, atrás de ajuda. “É um absurdo o Brasil ter tão pouca gente especializada. Existem médicos, mas o tratamento de transtorno alimentar exige um acompanhamento multidisciplinar. Aqui em Campinas, por exemplo, não tem”, reclama a escritora que, ontem, pouco depois da entrevista, viajou para a capital paulista, com o objetivo de encaminhar outra vítima de anorexia ao Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (Ambulim), para o qual Fernanda doou os direitos autorais do livro.

Em Eu, ele e a enfermeira... na luta contra a anorexia, da Clio Editora, ela relata a dificuldade de se sentir gorda, mesmo se sabendo magra, a incompreensão social, a importância do apoio da família. O título é uma referência à segunda internação de Fernanda, depois do casamento. Com o marido, Vicente, ela passou a ser acompanhada por duas enfermeiras que vigiavam sua conduta. Para quem pensa que a anorexia é pura frescura, o texto mostra que a doença é tão grave quanto a dependência química. Em vez de drogas, porém, a vítima se vicia na perda de peso e, dificilmente, conseguirá viver sem uma intervenção médica.

Desculpa

Desde a pré-adolescência, Fernanda sofria de distúrbios alimentares. Passou da compulsão a chocolates ao uso de laxantes, além de exagerar nos exercícios físicos. Mas foi aos 30 anos que um diagnóstico errado de hipoglicemia desencadeou a maior crise de anorexia que jamais tinha enfrentado. Depois de se consultar com um nutrólogo, ela teve de cortar todos os carboidratos, as gorduras e os doces da dieta. Na época, tinha um peso normal: 54kg para 1,64m. Seguindo a recomendação do profissional, perdeu 9kg em apenas quatro meses. Era somente o início da crise, que iria fazê-la chegar a um índice de massa corporal 15 , sendo que a recomendação da Organização Mundial de Saúde é mantê-lo entre 18,5 e 25.

Para Fernanda, a dieta prescrita pelo nutrólogo serviu como desculpa para que, inconscientemente, ela pudesse perder peso à vontade, sem sentir que, na verdade, estava doente. A cada semana, era 1kg a menos na balança. As pessoas começaram a comentar. Em uma viagem ao Chile, o noivo fez várias fotos dela, na esperança de que, ao ver os retratos, Fernanda ficasse consciente da própria magreza. “Na época, eu olhava e achava lindo. Hoje, acho horrível e penso como posso ter chegado àquele ponto. Eu parecia um ratinho de laboratório”, diz.

Preocupada ao ver a filha definhando, a mãe de Fernanda a levou numa clínica geral. Queria saber uma segunda opinião sobre a dieta da hipoglicemia. Descartando o regime do nutrólogo, a médica foi enfática: a paciente estava anoréxica, com quadros bulímicos por causa dos laxantes. Os resultados dos exames de Fernanda foram um alerta. Ela estava carente de nutrientes e, a cada cinco dias, precisava tomar soro. A internação era inevitável. Mãe de um menino que na época tinha 7 anos, Fernanda sabia que poderia morrer. Hospitalizada no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo, resolveu relatar, dia a dia, seus esforços pela recuperação.

Em 28 de abril de 2008, faltando 45 dias para seu casamento, Fernanda foi internada, às 14h. Soube pelo psiquiatra que o tratamento não teria prazo para terminar. Na clínica, ela se deparou com situações ainda piores. Viu garotas alimentadas por sonda porque se recusavam a comer. O pior é que algumas delas tinham orgulho de exibir o tubo de alimentação. Era uma prova de quem “é mais anoréxica”. Mesmo na época, Fernanda achou a situação estranha. No diário, anotou: “É triste, mas isso acontece”. Uma das internas que conheceu tinha como sonho chegar a 29kg. O caderno foi testemunha dos conflitos passados pela turismóloga — desde o nojo pela comida ao medo de não conseguir se recuperar.

Retrocesso

Em pouco menos de um mês, ela recebeu alta. A história, porém, mal havia começado. Depois de voltar da lua de mel passada na Europa, Fernanda se consultou. Ela tinha perdido muito peso e estava quase igual ao dia em que se internou. Ganhou do psiquiatra mais uma chance de se cuidar sozinha — e desperdiçou. Em vez de engordar 500g por semana, como o combinado, emagrecia. Mais uma viagem surgiu e Fernanda, novamente, voltou mais magra.

O psiquiatra deu um ultimato: ou engordava, ou voltava para a clínica. Como alternativa, disse que Fernanda poderia passar pela internação domiciliar. Isso significa que a recém-casada teria de ser acompanhada 24 horas por uma equipe de enfermagem. Mesmo sabendo da necessidade de se cuidar, ela só se convenceu depois de desmaiar na rua, ao sofrer um choque.

Fernanda e o marido mudaram-se para São Paulo e alugaram um flat ao lado da clínica. Em todos os programas eram acompanhados pela enfermeira. “Coitado do meu marido. Casou-se comigo e ganhou de brinde a enfermeira”, escreveu. Além do tratamento psiquiátrico, ela fazia terapia três vezes por semana. Foram vários momentos de desespero, mas também de muito autoconhecimento. A internação foi interrompida para uma viagem do casal a Nova York, mesmo sob protestos do psiquiatra. Na volta, Fernanda, finalmente, ficou feliz ao se pesar: tinha engordado 600g.

A luta da turismóloga não acabou. Ela sabe que terá de continuar o tratamento, mas, depois de quase morrer, ver o sofrimento da família, do marido e conviver com mulheres cujo sonho de consumo era pesar menos de 30kg, Fernanda tem certeza de que venceu a batalha. “Minha visão mudou. Não abro mão de uma vida saudável e livre. Se hoje preciso ser escrava de alguma coisa, quero ser escrava da verdadeira felicidade.”

1 - Padrões de beleza

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a anorexia é uma das doenças que mais cresce entre as mulheres. Estima-se que 1% da população sofra do problema, e os padrões de beleza cada vez mais enxutos são apontados como responsáveis pelo aumento do distúrbio entre jovens. Entre os males causados pela doença, estão depressão, insuficiência renal aguda, atrofia muscular e morte


"Eu, ele e a enfermeira... na luta contra a anorexia" está a venda em várias livrarias com preço médio de R$29,00.





Foto: http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Marieclaire/foto/0,,33365909,00.jpg




10 mitos sobre saúde mental no trabalho


Quando um empregador pensa em contratar alguém que tenha transtornos mentais, ou mesmo se mantém um empregado diagnosticado com algum problema, uma série de questões passam pela sua cabeça (a maioria sem fundamento ou casos similares para se basear)

Veículo: Expresso MT
Seção: Variedades
Data: 18/02/2010

Abaixo algumas das questões mais comuns colhidas entre empresários e chefias na Inglaterra podem ajudar os patrões a se convencerem que contratar ou manter empregados com transtornos mentais não são sinônimos de problemas no ambiente de trabalho:

1. Transtornos mentais são problemas raros e que acontecem com poucas pessoas. Ninguém no meu trabalho, por exemplo, sofre com algum tipo de problema com sua saúde mental.
R.: Não tão raros: 1 em cada 5 pessoas é afetada pela depressão, ansiedade ou outro transtorno mental com algum nível clínico.

2. Pessoas com transtornos mentais severos não são capazes de trabalhar.
R.: Não necessariamente. Só porque alguém foi diagnosticado com algum tipo de transtorno, como esquizofrenia, isso não significa que ela é incapaz de trabalhar. A maioria das pessoas diagnosticadas com transtornos mentais continuam, ou voltam, a trabalhar.

3. Trabalhar piora o quadro de alguém com transtornos mentais
R.: Na verdade pode ocorrer o inverso: pessoas que deixam de trabalhar podem ter uma piora na saúde e no bem-estar.
O trabalho, em geral, é bom para a saúde e seus benefícios se estendem igualmente para pessoas com ou sem algum tipo de transtorno mental, incluindo aqueles que sofrem de transtornos severos.
Entretanto, locais de trabalho estressantes, que não promovem a saúde do funcionário, podem piorar a saúde mental de todos. Por isso é importantíssimo que os patrões façam com que o ambiente de trabalho seja um lugar agradável, proporcione conforto e seja um lugar onde os benefícios do bem-estar contribuam positivamente para o empregado.


4. Contratar alguém com transtorno mental não é viável e mesmo que ocorra não há certezas que vai dar certo trabalhar com alguém assim.
R.: Diversas pesquisas feitas na Europa dizem exatamente o inverso. A grande maioria das empresas que contrataram funcionários, mesmo sabendo que eles sofriam de algum transtorno mental, nunca se arrependeram. É o que afirma um estudo amplo da Royal College of Psychiatrists, na Inglaterra, em 2008.
Aliás, se for considerado o dado anterior de que 1 em cada 5 pessoas sofre de algum transtorno mental, é provável que a maioria das empresas já contrataram pessoas com esse tipo de problema e nem mesmo notaram qualquer diferença na produção.


5. Alguém que admita que já sofreu com algum tipo de transtorno mental com certeza ficará doente e faltará mais ao trabalho no futuro.
R.: Apesar de algumas pessoas realmente precisarem se ausentar por algum tempo para tratar de um problema relacionado à transtornos mentais, isso não é regra geral.
A maioria desses indivíduos continua a trabalhar sem nunca precisar se ausentar, e os que se ausentam retornam ao trabalho após um período pequeno.
E isso é válido inclusive para casos de esquizofrenia e depressão profunda. Mais de 70% dos casos totais de trabalhadores com transtornos mentais se recuperam completamente, de acordo com dados da Sociedade Britânica de Psicologia.
Há exceções, claro, como em toda situação que envolva saúde de uma maneira geral.

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Pedofilia corporativa

Para os que acompanham meu blog, já havia manifestado meu descontentamento com a forma com que uma starlet de 10 anos é apresentada na mídia. Seu nome é Noah Cyrus, irmã da atriz que fazia a Hanna Montana, Miley Cirus. A criança (sim, criança) costuma ser apresentada pelos seus pais em vestidos curtíssimos, meia-calça arrastão, botas sadomasoquistas e batom vermelho. O rostinho infantil e o peito liso ficam ridículos em um traje tão sexualizado. Entretanto, para milhres de crianças americanas, a menina é um ícone de estilo e agora, junto de outra criança, lançaram uma marca de lingerie e roupas eróticas para crianças (!!!) denominada Ooh La! La!

As roupinhas na maioria são vestidos ultra curtos, no estilo prostituta,  com estampas tigradas ou pretas. Mesmo que não se vá tão longe, os pais e mães que lêem este texto deixariam suas filhas de 5 anos andando por aí de saltos altos e batom vermelho como a pequena Suri Cruise?
Suri Cruise



Infelizmente este não é apenas um fenômeno americano. Na Inglaterra diversas mães protestaram devido ao crescente número de roupas que apresentam conteúdo sexual destinadas a crianças (inclusive bebês) nas lojas e supermercados. As crianças tem sido empurradas sem limites para o mundo adulto sexualizado cada vez mais cedo. Entre os produtos facilmente disponíves no mercado inglês estão  microshorts justos, jaquetas metalizadas, estilo motoqueiro para meninas de 4 anos e sandálias de salto com pedrinhas estilo diamante para as de 3 anos de idade. Uma loja de roupas infantis tem uma marca específica para este estilo, cujo nome Tainted (sujo, danificado) já diz tudo. No Brasil, com sua cultura de carnaval e bailes funk, não é preciso ir muito longe para ver meninas com tops e shorts de lycra que desfilam na periferia a rebolar as inexistentes curvas. No país do Carnaval, até uma menina de 7 anos pode ser Rainha de Bateria de escola de samba, uma posição que sempre foi ligada à sexualidade de modelos de corpos esculturais.

Recentemente, um relatório solicitado pelo Australian Institute criou um termo para esta sexualização comercial das crianças: Pedofilia corporativa (corporate paedophilia). Emma Rush, uma das investigadoras envolvidas no relatório escreveu que "imagens de crianças sexualizadas estão a se tornar cada vez mais comuns em propagandas e material de marketing (...) Crianças de até 12 anos, especialmente meninas, são vestidas, maquiadas e posam da mesma forma que jovens e sexy modelos".
Muitos podem pensar que estas roupas são inofensivas e que estes comentários são conservadores, mas há crescente evidência que sugere o contrário. Justine Roberts, responsável por um site destinado a conselhos a mães, acredita que as roupas e brinquedos sensuais para crianças as "introduz ao mundo da sexualidade adulta e as pressiona e encoraja a tornarem-se sexualmente ativas em tenra idade. (...) A impressão que se passa às meninas é que a qualidade mais importante que se possa ter é ser sexy e que a sexualidade feminina diz respeito à dar prazer a outros, encorajando uma cultura na qual as crianças são vistas como disponíveis sexualmente."

A American Psychological Association publicou diversos estudos que ligam a sexualização precoce à transtornos alimentares, baixa auto-estima e depressão em garotas. A associação também relata ter encontrado evidências de sexualização em todas as mídias e que os efeitos na sociedade são catastróficos e incluem aumento no sexismo/machismo, taxas aumentadas de violência e assédio sexual e aumento da demanda por pornografia infantil.

Em 2008, Girlguiding UK em associação com Mental Health Foundation publicou um relatório sobre a sexualização precoce de meninas. A organização pesquisou meninas entre 10 e 14 anos e os resultados evidenciaram que muitas experimentavam "estresse, ansiedade e infelicidade" como resultado de terem sido forçadas a crescer muito rápido. As meninas sentiam-se pressionadas a vestir roupas que as faziam parecer mais velhas e se não o fizessem estavam a mercê dos bullies.

No final das contas, cabe aos pais escolher o que seus filhos vão vestir e como vão crescer. Se uma marca de roupas insiste em vender roupas de prostitutas para bebês, cabe aos pais não comprá-las. Se existe este mercado, o mais triste de tudo, é porque existe demanda e estes pais expõem seus filhos a toda uma miríade de males tardios.

Em uma nota pessoal, acredito que a exploração da pequena Julia Lira, que foi madrinha de bateria na Viradouro neste Carnaval 2010 foi um absurdo. No mundo todo os jornais repercutiram a polêmica.. A exibição desta criança em um papel destinado a ninfas sexuais não fez nada para melhorar a imagem do Brasil no que tange à exploração sexual de crianças e adolescentes. Mesmo com o caso sendo debatido no Juizado de Menores (que estava a estudar se aprovaria ou não a participação da criança), o desfile foi a frente mas a pequena Julia desfilou por apenas 7 minutos. A pressão das câmeras de tv e do público foi demais e ela foi retirada do sambódromo a chorar.

A imagem do país e de suas mulheres no exterior é escandalosa. Em diversas partes de Portugal, brasileira é sinônimo de prostituta. Não adianta o país querer ser parte do Conselho de Segurança da ONU e sentar na mesa dos adultos nas relações diplomáticas se em uma semana em fevereiro consegue desmerecer todo o esforço para melhorar sua imagem. A exploração de mulheres e crianças brasileiras no Norte e Nordeste Brasileiro (e também no Rio de Janeiro) está institucionalizada e todos os anos milhares de turistas compram pacotes turísticos sexuais para conhecer as "maravilhas do Brasil". Lembro-me de que quando visitei Fortaleza pela primeira vez fiquei chocada ao ver meninas de 12 anos, ainda sem mamas de mãos dadas com turistas do norte europeu na casa dos 35 dentro de uma das discotecas mais famosas da cidade. A pedofilia corporativa está institucionalizada no Brasil há anos, nas agências de turismo. Já passa da hora de se fazer algo a respeito.

Fotos: http://www.dailymail.co.uk/femail/article-1249538/From-worried-mother-passionate-arms--Its-time-stop-fashion-industry-dressing-girls-like-this.html
http://www.timesonline.co.uk/multimedia/archive/00684/JULIA_PIXEL_SIZE_18_684893a.JPG

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Notícias em psiquiatria

Estudo com cães pode ajudar vítimas de transtorno obsessivo-compulsivo
Cientistas associaram um gene ao comportamento compulsivo -- em cachorros
Veículo: Folha On-line
Editoria: Bichos
Data: 01/02/2010

Gripe aviária pode provocar Parkinson
Infecções causadas pelo vírus H5N1 prejudicam o cérebro
Veículo: Mente e Cérebro
Editoria: Notícias
Data: 30/01/2010

Depois da tragédia, o estresse
Alguns acontecimentos em nossa vida podem mexer com o lado emocional de forma tão devastadora que mudam completamente nossos destinos, crenças, valores e visão de mundo
Veículo: Universo da Mulher
Editoria: Abertura
Data: 01/02/2010

Obesidade: mente e corpo estão envolvidos no problema
Nossos atos são resultado de como pensamos e nos sentimos
Veículo: Uol
Editoria: O que eu tenho?
Data: 01/02/2010

90% das jovens sentem pressão da "ditadura da magreza" nos EUA
Folha Online
02/02/2010

Depressão é tratada em apenas metade dos casos nos EUA
Folha Online
02/02/2010

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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Notícias em psiquiatria

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Notícias em psiquiatria

Técnica inglesa revoluciona prevenção do Alzeheimer

O reagente pode ser pingado nos olhos como um colírio ou ser aplicado por meio de injeção. Ao atingir a retina, assinala com um pontinho as células mortas. Mais de 20 pontos é sinal de Alzheimer.

Para assistir ao vídeo, clique no link.

Editor francês afirma engordar as modelos no Photoshop
O editor francês afirma que altera as imagens digitalmente quando tem de fotografar uma modelo muito magra, tanto para a “L’Officiel”, quanto para a “Muteen”. “Se as costelas dela aparecem, tiramos no Photoshop”.


Europa suspende venda de remédio para emagrecer
A Emea (agência de medicamentos da Europa) recomendou ontem a suspensão da venda e da prescrição de remédios para emagrecer que contêm sibutramina --uma das substâncias mais usadas para emagrecimento no Brasil.

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domingo, 20 de dezembro de 2009

Notícias em psiquiatria

Anorexia também é doença de rapazes
Reportagem do jornal português Expresso, trazida à atenção pela colega do blogue "Esqueci a Ana".

Do clipping de notícias da ABP:

Hormônio que controla o apetite pode cumprir um papel no Alzheimer
Segundo estudo, um quarto daqueles com menores níveis do hormônio desenvolveram Alzheimer
Veículo: Boa Saúde
Seção: Notícias
Data: 16/11/2009

Problemas de memória pode estar relacionado com falta de paciência dos pais
Para os pais, é particularmente importante manter a cabeça fria quando se está na presença de crianças fazendo bagunça
Veículo: UOL
Seção: O que eu tenho
Data: 18/12/2009

Médicos retiram 151 peças de metal de estômago de homem em Maceió
“Em cima dos delírios que uma pessoa com problemas mentais cria, ela pode perder a noção do que é certo ou errado”, diz psiquiatra
Veículo: UOL
Seção: Cotidiano
Data: 18/12/2009

Álcool na adolescência
Álcool costuma ser tolerado no âmbito familiar, o que é um equívoco
Veículo: Zero Hora
Seção: Editorais
Data: 18/12/2009

5 coisas que você deve saber sobre Dependência de Internet
Por Cristiano Nabuco de Abreu
Veículo: UOL
Seção: O que eu tenho
Data: 18/11/2009

1. O que é dependência de Internet?

É uma nova classificação de transtorno mental que ainda não foi reconhecida oficialmente pela Medicina e pela Psicologia, mas que já se faz presente em vários países do mundo causando sérios problemas de adaptação em jovens e adultos. Na Coréia do Sul, por exemplo, já se considera um problema de saúde pública e vem merecendo a atenção das autoridades.

Pelo fato da Internet estar associada à realização de atividades acadêmicas, profissionais ou mesmo sociais, o uso excessivo ainda não é facilmente detectado por familiares ou profissionais de saúde. Assim sendo, a dependência se estabelece quando o individuo “não mais consegue” regular o tempo de uso, ficando aprisionado em atividades virtuais como, por exemplo, jogos on-line ou mesmo em redes sociais “tuitando” o tempo todo.

2. Por quais razões a dependência de Internet se desenvolve?

Usualmente, esta dependência se desenvolve quando o indivíduo apresenta quadros de depressão, transtorno bipolar do humor ou ainda quadros de fobia View definition in a new window social. Desta forma, a Internet acaba servindo como um meio destas pessoas regularem o seu humor, ou seja, quando estão se sentido mal, buscam se conectar e assim experimentar alguma forma de alívio. Na Internet as pessoas conseguem também exibir mais livremente um tipo de atitude que muitas vezes não conseguiriam ter na vida real. Assim, aquelas pessoas que são mais fechadas, por exemplo, na vida virtual se tornaram mais extrovertidas. Aquelas que estão mais deprimidas, ao teclar com alguns amigos virtuais, se sentiriam mais amparadas e aceitas (não é raro, inclusive, ouvir destas pessoas: “a internet, é meu prozac virtual”), dada a sensação de alívio.

Algumas situações adicionais compreendem aqueles casos onde as pessoas vivem momentos de crise familiar ou conjugal e encontrariam na Internet a sua “cara metade” ou mesmo um bom ou boa amiga. Evidentemente que estas situações que são criadas na Internet muitas vezes não chegam a migrar para o mundo real, entretanto, servem para manter acessas a vontade de experimentar uma vida paralela, muitas vezes mais satisfatória que a vida real. Muitas pessoas, inclusive, dizem que a Internet se torna um “novo refúgio” para elas.

3. Como identifico se alguém está com esse problema?

Alguns comportamentos podem ser observados: Ficar mais tempo conectado do que o planejado (até tarde da noite, ao longo dos finais de semana, por exemplo); preferir estabelecer relações com amigos virtuais em vez de amigos do mundo real (ou seja, negligenciar a atenção com a família e com o circulo social); deixar de lado as atividades que precisariam ser feitas para poder ficar mais tempo conectado; observar prejuízos no trabalho, escola ou mesmo nas relações pessoais; mentir a respeito do tempo que esteve conectado; tentar reduzir o tempo de navegação, mas não conseguir. Todos estes elementos juntos ou mesmo separados já seriam fortes indícios de que a pessoa se tornou ou está se tornando dependente da Internet.

4. A dependência de Internet tem tratamento?

Sim. Os pacientes adultos devem se submeter a tratamento em psicoterapia (terapia cognitiva, preferencialmente) e buscar ajuda psiquiátrica, dependendo do estado geral, por indicação do psicólogo.

No caso de adolescentes, além do paciente, é interessante que a família também receba orientação em como conduzir a ajuda e também para observar se a fuga do(a) filho(a) ao mundo virtual, não pode ser entendida com uma forma de escape das relações familiares marcadas por crise e desestrutura.

5. A quem devo buscar para pedir ajuda?

Psicólogos e psiquiatras devem ser buscados para oferecer este tipo de tratamento. A ajuda quando oferecida corretamente, traz alivio e uma recuperação efetiva.

Cristiano Nabuco de Abreu, coordena o Programa de Dependência de Internet do Ambulatório Integrado dos Transtornos do Impulso do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. E-mail: nabuco@usp.br

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Notícias em psiquiatria

Do clipping de notícias da ABP

A dieta do vício
Para manterem-se magras, mulheres trocam a comida pelo álcool. A doença já ganhou nome: drunkorexia

Veículo: A Notícia
Seção: Joinville
Data: 06/12/2009
Estado: SC

Embora esteja no peso ideal ou ligeiramente abaixo dele, Camila* jamais descuida do corpo. Se preocupa com a silhueta a ponto de seguir um treino diário na academia e excluir totalmente os doces e as frituras do cardápio. Já Larissa* obedece a um menu ainda mais espartano: além de gorduras e doces, não come massas, e ainda assim, acha que não se preocupa o suficiente com o corpo. Psicóloga e publicitária moram em Florianópolis, têm pouco mais de 30 anos e, além de dividirem a preocupação excessiva com o corpo, têm outro ponto em comum: os regimes restritivos que seguem não excluem excessos alcoólicos frequentes. No prato, saladinha. No copo, vinho, cerveja, champanhe ou vodka.


Substituir refeições por álcool, trocar as calorias de grupos alimentares por aquelas contidas nas bebidas ou ainda utilizá-las para aplacar a ansiedade e o vazio no estômago geram um comportamento de risco que recentemente foi batizado de alcoolrexia, anorexia alcoólica ou drunkorexia (drunk significa bêbado em inglês). Os nomes não são oficiais, assim como o comportamento não é considerado um transtorno alimentar, mas especialistas alertam para o aumento do número de meninas que apresentam esse traço.


“A valorização cultural da magreza e a aceitação social do uso de álcool pelos jovens têm provocado o aumento de casos, mas não há dados definitivos sobre quantas pessoas apresentam este tipo de comportamento”, explica Eduardo Wagner Aratangy, supervisor do Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP. Mulheres com essas características já procuraram especialistas de Santa Catarina. “A preocupação com as calorias é tanta que o mínimo que ela se permite usa no álcool. Elas não querem abrir mão disso, então, não comem quase nada. Em outros casos, a bebida pode tirar a fome”, explica a nutricionista Isabela Sell. Seja por mecanismos calóricos ou cerebrais, o álcool, de fato, pode dar a sensação de saciedade.


“O álcool libera dopamina, neurotransmissor que diminui a ansiedade. Quando estamos com fome ficamos mais ansiosos. O álcool relaxa. Ele também tem um aporte calórico, mas não tem proteína nem aminoácido”, explica o psiquiatra Marcos Zaleski. A combinação entre abuso de álcool e falta de nutrientes pode causar desnutrição e gastrite, além de lesões hepáticas que podem resultar em hepatite e câncer. Do ponto de vista psiquiátrico, pode provocar ansiedade e depressão.

* Os nomes foram trocados a pedido das entrevistadas.

Aécio sanciona lei antifumo em Minas Gerais
Nova legislação estabelece que o proprietário ou responsável pelo estabelecimento comercial que descumprir a proibição em local fechado será multado
Veículo: Agência Estado
Seção: Notícias
Data: 04/12/2009

Estudo associa tabagismo ao risco de câncer de intestino
Pesquisa "oferece mais uma razão para não fumar, ou para parar o mais rápido possível
Veículo: Boa Saúde
Seção: Notícia
Data: 07/12/2009
 
Estudo associa exercícios físicos a maior inteligência
Atividades aeróbicas estimulam o desenvolvimento de neurônios no cérebro
Veículo: Folha de S Paulo
Seção: Saúde
Data: 05/12/2009

Sexo entre toxicômanos acelera transmissão do HIV na Ásia
Segundo os últimos dados revelados pela OMS, a maioria dos contágios da doença no continente acontece agora por via intravenosa
Veículo: Folha Online
Seção: Ciência
Data: 07/11/2009

Maconha é usada como terapia medicinal no norte de Israel
Um hospital público israelense começou a realizar o tratamento e a receitar maconha para os doentes. E mais: eles podem fazer uso da medicação, quer dizer, fumar a erva, dentro do hospital.
Veículo: Rede Globo
Seção: Fantástico
Data: 06/12/2009

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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Congressos sobre transtornos alimentares

Recebi um email da PROATA com os seguintes avisos.


Para maiores informações, clique na figura ou mande email para anne.haylock@markallengroup ou ligue +44 (0)207 501 6760

E ainda sobre o assunto


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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Vigorexia

Os transtonos alimentares e dismórficos estão com tudo nas últimas semanas. Gravidorexia, drunkorexia e agora Vigorexia. Recebi esta notícia por um email da Associação Brasileira de Psiquiatria.

"A psiquiatra Fátima Vasconcelos e o médico toxicologista, Anthony Wong, falam dos distúrbios de imagem que levam os jovens a usar anabolizantes em busca da forma perfeita."
Veículo: Globo News
Seção: Em Cima da Hora
Data: 02/11/2009

Para ver a reportagem completa, clique aqui.

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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Drunkorexia

Não faz nem 3 dias e escrevi um post sobre o que denominei gravidorexia, expressão que adaptei do inglês pregorexia. Recebi pelo twitter (onde mais?) o link para uma entrevista no Mais Você (programa matutino da televisão brasileira) sobre este novo fenômeno, também adaptado do inglês e de mesmo nome: Drunkorexia.

A entrevista completa, com vídeo, pode ser acessada aqui.
Você já ouviu falar em drunkorexia? O Mais Você conversou com uma jovem de 21 anos esclarecida, educada, que está em uma clínica de recuperação em São Paulo. Ela sempre foi uma criança gordinha e, depois que cresceu, a dificuldade para aceitar a própria aparência só aumentou. Com ela, veio a timidez para se relacionar com os meninos e o isolamento dos amigos. Até que uma descoberta pareceu ser a solução dos problemas. “Descobri que beber tirava a fome. Com 14 anos comecei a beber pra valer. Sempre que eu tinha dinheiro gastava com isso”, disse a jovem.

Mais posts sobre o assunto, com revisão da literatura, como sempre, no futuro próximo.

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terça-feira, 24 de novembro de 2009

GRAVIDOREXIA – Passando fome por dois


Gravidorexia não é uma palavra. Eu adaptei a expressão do inglês “pregorexia”, outra não palavra, criada recentemente com a única finalidade de se entender o fenômeno de algumas gravidezes e pós-partos atuais. Ela serve para descrever o distúrbio no qual mulheres da Europa, Estados Unidos e Japão se exercitam e fazem dietas extremas às custas da saúde do bebê. Infelizmente um número cada vez maior de pobres mortais tem tentado emular as esposas de jogadores de futebol ou estrelas de cinema, que se mostram determinadas a manter o corpo magérrimo em um período no qual deveriam relaxar.

A gravidorexia tem estado cada vez mais em evidência devido às mamães célebres e famosas com barriguinhas perfeitas, como Nicole Kidman em 2008 e Nicole Richie em 2007 e neste ano, que se assustam com a palavra calorias e sacrificam-se em regimes de exercícios durante toda a gravidez. Nestes casos, o objetivo não é perder o peso o mais rápido possível mas nem mesmo ganhá-lo desde o princípio.

Transtornos alimentares podem surgir a qualquer momento na vida da mulher e a gravidez, com a ansiedade e mudanças hormonais típicas do período, pode causar por si só ou agravar um quadro de anorexia ou bulimia. Estas mulheres necessitam de tratamento especializado e terapia. O que se tem observado no caso da gravidorexia, entretanto, não é exatamente um cluster de pacientes mas uma moda, como tantas outras, que pode trazer prejuízos à mulher e ao bebê.

Um bebê busca no corpo da mãe os nutrientes que necessita. Se as reservas da mãe estão baixas, pode haver problemas como anemia, depleção de cálcio (responsável pela formação dos ossos) e risco de se dar à luz a um bebê de baixo peso, que pode levar a problemas futuros para a criança como doenças cardíacas, depressão e retardo do desenvolvimento cognitivo.

A gravidorexia é um fenômeno que está a ser alimentado pela crescente indústria da “moda da maternidade”. Enquanto nossas mães desapareciam felizes e alegres sob roupas de grávidas largas e confortáveis nos anos sessenta e setenta, as grávidas de hoje vêem a sua disposição uma enorme opção de escolha desde desenhos de estilistas famosos a roupas que rapidamente os copiam nas lojas de classe média.

Além das gravidoréxicas típicas, um fenômeno similar está a acontecer após o nascimento do bebê. Mulheres desesperadas para recuperar suas figuras pedem, ou por lipoaspirações no mesmo tempo cirúrgico da cesariana, ou entram em rotinas extenuantes de exercícios e dietas no pós-parto. Nos EUA uma entrevista recente com a apresentadora de TV Liz Fraser causou polêmica: Fraser, que estava ao vivo para promover seu novo livro “Yummy Mummy”, que trata de mães que rapidamente perdem o peso após o parto para ficarem “mamães gostosas” admitiu que sofreu de um transtorno alimentar durante a gestação. Diversos telespectadores protestaram contra o que consideraram “hipocrisia” ao se tentar vender um livro que na verdade divulgava sua doença.

Independentemente do motivo por trás da divulgação da moda das “mamães gostosas”, esta é uma moda cruel na formação da nova família. O leite materno é altamente influenciado pela qualidade da alimentação da mãe. Mulheres que fazem dietas radicais e estão a amamentar consequentemente fazem com que seus bebês também sofram. Mesmo para aquelas que optaram por não amamentar seus bebês (apesar de todas as indicações médicas atuais que sublinham a amamentação como a melhor opção para mães e bebês), a rotina de exercícios físicos extenuantes aos quais as mulheres se impõem pode prevenir a criação de laços de afeto com os recém-nascidos. Ao invés da mamãe descansar e dedicar seu tempo ao bebê, ou ela está na academia com o personal trainner, ou cansada e irritada devido ao baixo aporte calórico.

A lista de celebridades a povoar as capas de revistas mostrando seu corpo enxuto até dez dias após dar a luz continua a crescer. Especialistas ainda debatem se as gravidoréxicas e “mamães gostosas” estão a aumentar devido à divulgação extensa por parte da mídia e das revistas de fofocas. Sabe-se que este fenômeno ocorre com anoréxicas e bulímicas, que usam fotos de celebridades e modelos magérrimas como gatilho e estímulo para iniciar ou manter seus comportamentos. Ainda é cedo para se afirmar o mesmo em relação às grávidas. Entretanto, há razões para suspeiras: nunca a indústria do culto à celebridade e à “fama pela fama” foi tão forte e esta tendência coincide com a atual mentalidade da dieta e boa forma a todo custo. A moda dos bebês acessórios (que preferencialmente devem estar vestidos com a última moda em Paris, e combinar com o esquema de cores da roupa da mamãe) objetifica o recém-nascido e torna mais fácil a ruptura do laço afetivo pela busca narcísica da beleza exterior o mais rápido possível. O bebê passa a ser mais uma engrenagem na maquinaria consumista atual.

Como médica, devo concluir dizendo que a questão do peso e da vaidade devem, como quase tudo na vida, estar em equilíbrio. Todos os conselhos médicos válidos até hoje sobre o assunto, sejam em grávidas, crianças ou outros proclamam a perda de peso lenta e regular associada a exercícios físicos moderados e diários como a opção mais saudável. Dietas da moda, dietas rápidas ou planos de exercícios que mais parecem uma sessão de tortura medieval não trazem prazer e podem causar consequências graves à saúde. Retornando às celebridades que mais estimulam os comportamentos descritos neste texto, Nicole Richie (filha do cantor Lionel Richie e queridinha das fashionistas e da indústria do emagrecimento) esteve na mídia neste ano não só por não adquirir peso ideal na gravidez mas por perder todo o peso extra em duas semanas após o parto (9kg em 14 dias). Há menos de dez dias Richie esteve novamente na capa dos jornais, desta vez por ter sido hospitalizada com uma grave pneumonia. A infecção (típica em adultos imunodeprimidos) pode não ter nada a ver com seu emagrecimento súbito ou seu constante estado subnutrido. Mas o princípio lógico da Navalha de Ockham, aprendido nos primeiros anos do curso de medicina, nos diz que “a explicação mais simples é sempre a mais lógica”.


Nicole Richie no pós parto (à esquerda) e grávida de seu segundo filho

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domingo, 22 de novembro de 2009

Historias de superacao - anorexia

Pelo que me parece há no momento marketing sobre uma novela que esta ou estara no ar no Brasil que se chama Viver a Vida, na qual o tema é superação. Não sei nada sobre o assunto pois estou a morar fora do país desde 2005. O que sei é que tenho recebido recentemente inúmeros links com histórias de pessoas reais que têm lutado e vencido doenças e tragédias pessoais. Independentemente do porquê elas estão a circular na internet no momento, acredito que estas histórias têm seu lugar como textos de motivação e por isso resolvi lhes dar espaço neste blog. Hoje recebi estas histórias que estão em um site do portal Globo.






ter, 03/11/09por TV Globo
categoria Anorexia
tags Andrea Lopes


Com apenas 17 anos Andrea se tornou a primeira surfista profissional a viver do esporte no Brasil. Depois, já com 25 anos, foi a primeira brasileira a vencer o campeonato mundial, o WCT e a única a ser tetracampeã brasileira. No começo dos anos 90, começou a apresentar um quadro de anorexia. Quando viajou para África do Sul para disputar um campeonato, começou a rejeitar toda comida que lhe era oferecida. Era obsessiva com o surf e com o corpo. Chegava a surfar seis horas ininterruptas tendo comido apenas uma fruta o dia inteiro.


A comida tornou-se uma ameaça na cabeça de Andrea. 1994 e 1995 foram os anos mais críticos, parou de menstruar e chegou a pesar 38 quilos. Certa vez, quando viajava para uma competição na Austrália, teve uma forte crise estomacal que fez com que ela fosse internada às pressas. Ainda tentou continuar na competição, mas não teve forças.


De volta ao Brasil, um dia, sua mãe entrou no banheiro e começou a chorar olhando a magreza excessiva da filha. Andrea resolveu se tratar. Parou com sua vida profissional, seguiu os tratamentos e com ajuda da família e de terapia, conseguiu sair sem sequelas da doença. Hoje, está curada e se diz uma pessoa melhor e mais feliz. Está a caminho da conquista do pentacampeonato brasileiro.

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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Blog sobre anorexia e distúrbios alimentares

Tenho estado a acompanhar um blog\blogue interessante sobre os distúrbios alimentares. Os textos são postados por uma internauta que lidou com a anorexia por anos. Vale a dica para que se visite o blog "Esqueci a ana".

Abaixo um post retirado e resumido do blog em questão. Recomendo a todos que o lerem que visitem o original neste link, no qual a autora faz um apanhado de cada ítem com explicações pessoais sobre como os viveu.

10 Sinais de Aviso da Anorexia Nervosa

1. "Não revelar sentimentos"
2. "Extremo auto-controlo"
3. "Tornar-se progressivamente mais crítico e menos tolerante com os outros"
4. "Significativa ou extrema perda de peso sem causa médica aparente"
5. "Redução da quantidade de alimentos ingeridos"
6. "Desenvolvimento de comportamentos ritualizados à refeição, como, por exemplo, cortar a comida em bocadinhos muito pequenos e mastigar cada bocado em grande número de vezes."
7. "Não assumir a fome"
8. " Só comer produtos alimentares magros e de baixo valor calórico"
9. "Prática excessiva de exercício físico"
10. "Achar-se sempre muito gordo mesmo quando isso está longe de ser verdade"

Os ítens podem ser encontrados, assim como outras informações sobre os distúrbios alimentares no site da A.F.A.A.B. Associação dos Familiares e Amigos de Anoréticos e Bulímicos.

Este site é dedicado ao público português, mas as informações disponíveis são de caráter universal.

Aparentemente não existe nada similar no Brasil (uma associação de familiares). O mais perto que encontrei foi o site da ASTRAL - Associação Brasileira de Transtornos Alimentares. Mas não sei que são ou o quê especificamente desenvolvem, por isso, use de senso crítico ao ler as informações.

Lembre-se: qualquer dúvida um profissional especializado na área de saúde mental (médicos, enfermeiros, psicólogos) pode oferecer informações atualizadas e baseadas em evidência sobre os transtornos alimentares.

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