sábado, 17 de agosto de 2019

Botox na psiquiatria!

Pode parecer estranho mas recentemente muitos estudos tem mostrado que a toxina botulínica pode ter um papel no tratamento da depressão.Charles Darwin foi um dos primeiros a reconhecer como os músculos faciais contribuem para a expressão de emoções. Com o tempo, as contrações musculares podem formar dois sinais que podem ser encontrados em pacientes com depressão melancólica

O Sinal do Ômega

Também conhecido como omega melancholicum foi descrito em 1872 por Darwin como "músculos do luto", no livro "A Expressão de Emoções em Homens e Animais". O sinal é formado pela contração excessiva e prolongada dos músculos procerus e corrugator, como comprovada em eletromiografia de pacientes deprimidos. Esse fenômeno é conhecido como propriocepção emocional.

A dobra de Veraguth é outro sinal comumente encontrado na depressão crônica, primeiramente descrito pelo neurologista Otto Veraguth em 1911. Do ponto de vista diagnóstico, a dobra de Veraguth pode ajudar a diferenciar entre quadros de demência ou pseudodemência (depressão que parece demência), cuja dificuldade diagnóstica atrasa a instituição do tratamento adequado.

Esses sinais, que andavam fora de moda na psiquiatria, voltaram a ser observados recentemente com a popularização das injeções de toxina botulínica na área glabelar, que parecem levar a redução de sintomas depressivos. A hipótese mais provável para esse fenômeno parece ser o "biofeedback facial", que postula que a expressão facial influencia a percepção emocial e regula o estado de humor. Explicações alternativas para a melhora do humor incluem a melhora na interação social e na autoestima.

As pesquisas sobre os efeitos da toxina botulínica na melhora do humor ainda engatinham. O tratamento indicado para depressão continua sendo o uso de antidepressivos mas, para pacientes crônicos, com as linhas acima, a toxina botulínica pode ser indicada associada, devido ao baixo risco de efeitos colaterais e para "treinar" a musculatura da face, que fica com vincos profundos em pacientes com doença de longa data.
Referências: Saraf et al. Revisting Omega and Veraguth's Sign. Indian J Psychol Med. 2019, May-Jun; 41(3): 295-297.

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terça-feira, 6 de agosto de 2019

7 formas de espantar a depressão

Quando você sentir a tristeza chegando, pode tentar estas estratégias para não se render a ela!

1. Aprenda seus sinais de alerta
Se você fosse cardíaco gostaria de saber os sinais de alerta de um infarto para procurar o pronto socorro imediatamente, não é? Na psiquiatria isso também é importante! Você fica apático? Irritado? Seu apetite muda ou você se isola?
Quando você procura ajuda no início do quadro, o índice de sucesso é maior!

2. Procure sua rede de suporte
Muitas pessoas passam a se isolar quando deprimidas, mas isso faz com que o quadro piore. Lute contra a tendência ao isolamento! Procure seus amigos, família, vá à igreja, etc. Esta é uma boa hora para procurar uma psicoterapia.

3. Pratique bons hábitos de sono
A depressão na maioria das vezes altera seu sono fazendo com que você durma demais ou de menos. Tente manter um padrão consistente: evite sonecas durante o dia ou permanecer na cama por muito tempo após acordar. Se você não consegue adormecer limite seu consumo de cafeína e diminua a exposição aos dispositivos eletrônicos antes de dormir.

4. Alimente-se com sabedoria
As mudanças alimentares e a inércia que acompanham a depressão fazem com que seja mais difícil manter hábitos alimentares saudáveis. Infelizmente a nutrição inadequada faz a depressão piorar.
Se você não tem forças para cozinhar, invista em sopas saudáveis facéis de preparar ou alimentos congelados saudáveis. Se, ao contrário, você come a mais quando deprimido, evite ter "porcarias" em casa para não cair em tentação.

5. Limite seu consumo de álcool
Pode parecer que uma taça de vinho após um longo dia te relaxa, mas agora não é o momento. Depressão e álcool não se misturam: o álcool é um depressor e pode piorar seu humor e arrebentar com seu sono.

6. Exercícios
Pode ser a última coisa da sua lista quando está deprimido, mas os estudos mostram que os exercícios são poderosos para melhorar o humor, o sono e os níveis de energia. Uma caminhada leve de 10 minutos já te ajuda.

7. Tente se engajar em atividades encorajadoras
Um dos principais sintomas da depressão é a perda de prazer em atividades. Mesmo se você está motivado, as coisas não tem "o mesmo gosto de antes". Tente atividades como escrever, pintar ou tocar música. Procure se engajar em sua fé. Com o engajamento na atividade e na conexão com outras pessoas, há melhora do humor.

Não existe um jeito eficaz de prevenir o episódio depressivo quando ele começa, mas com um plano de ação ele fica mais manejável e isso a ajuda a se recuperar mais rápido.

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quarta-feira, 14 de abril de 2010

Aspectos psiquiátricos do cuidado de pacientes terminais (cuidados paliativos)

Com a publicação do novo Código de Ética Médica, o cuidado aos pacientes terminais está em foco. O novo Código é explícito ao proibir intervenções desnecessárias para prolongar a vida de um paciente terminal em sofrimento.

Quando ainda era residente, notei como o psiquiatra era constantemente chamado para avaliar pacientes terminais nas enfermarias de clínica geral (cardiologia, endócrino, etc) e enfermarias destinadas a pacientes com câncer/cancro. Muitas vezes via que era chamada mais no sentido de lidar com a ansiedade da equipe clínica ou da família, que esperavam um medicamento "sossega leão" para o doente emaciado e agitado, contido na cama para sua própria segurança. É incrível como essa visão da "psiquiatria de sedação" persiste na medicina brasileira e como os clínicos e a família não estão preparados para lidar com a morte. De fato o psiquiatra tem lugar no cuidado de pacientes terminais, mas longe de ser um técnico ali presente para administrar um anestésico e calar o doente, a avaliação pode trazer benefícios e esclarecer dúvidas.

Em primeiro lugar temos que conceituar a morte. Provavelmente escreverei um post específico no futuro sobre a antropologia da morte mas, de forma geral, embora a população mundial esteja progressivamente envelhecendo mais, paradoxalmente a morte não é aceita como como parte normal da existência. Morrer hoje é um ato médico, no qual muito embora a maioria dos pacientes refira que prefere morrer em casa, a grande maioria das mortes ocorre em hospitais, cercada de aparatos médicos e de certa forma dissociada da nossa consciência. Talvez este afastamento da morte do seio da sociedade seja o responsável pelo fato de a morte não ser vista como fenômeno natural. O mundo atual perdeu os rituais de passagem que asseguravam um processo de luto mais saudável e a morte hoje é mecânica e impessoal.

Na Europa, esta tendência impessoal tem sido refutada com a criação de Hospícios: Em 1967 foi criado o St. Christopher Hospice em Sydenham (na Inglaterra), destinados a receber pacientes terminais e fornecer um cuidado diferenciado e mais humanizado. Embora o nome lembre os manicômios psiquiátricos de antigamente na língua portuguesa, os hospícios são locais de paz e calma, com uma equipe treinada neste tipo de cuidados. Eu conheci o funcionamento de uma destas instituições em Somerset quando perdi um familiar com câncer de estômago há dois anos. O hospício é um misto de hospital e casa: embora conte com equipe clínica e material médico, a decoração é a mais aconchegante possível e os quartos e o layout arquitetônico primam pela busca de belas paisagens e jardins de relaxamento. As salas de espera para os familiares no período de visitas são aconchegantes como uma sala de estar e o hospício dispunha até mesmo de uma cafeteria self-service, onde podíamos fazer nosso próprio chá e comer bolachas disponibilizadas pela equipe por sobre as mesas. O leitor brasileiro deve estar a pensar nos custos de tal local para um paciente terminal e sua família, mas devo lembrá-lo que o sistema de saúde inglês é público e a maioria destas instituições é financiada por Instituições de Caridade ou pelo setor privado, que faz doações em troca de reduções fiscais

exemplo de cuidado paliativo em hospício, com um ambiente mais familiar e aconchegante, para conforto do paciente
Voltando ao assunto do papel do psiquiatra no cuidado destes pacientes...

De fato é verdade que os doentes terminais apresentam altas taxas de comorbidades psiquiátricas (Derogatis, 1983), mas também é importante notar que há um superdiagnóstico de depressão e muito poucos diagnósticos de transtornos de ajustamento e delirium. Assim, como há muita confusão nos clínicos e nos familiares sobre se o paciente está deprimido e como aparentemente este é o diagnóstico mais comumente fornecido aos pacientes terminais, vou começar por ele:

Depressão nos doentes terminais – Prevalência, etiologia e como reconhecê-la


Segundo a literatura científica, 47% de todos os pacientes com câncer/cancro apresentam um transtorno psiquiátrico, dos quais 68% apresentam humor deprimido ou ansioso e 13% apresentam depressão major (Lloyds-Williams, 2001). Em comparação, a população hospitalar (hospital geral) apresenta taxas de depressão em torno de 15% (Mayou e Hawton, 1986). Já a população geral apresenta prevalência de 5 a 7%. Ou seja: as taxas de depressão em pacientes com câncer/cancro terminal não são muito diferentes do que se espera encontrar em um hospital geral (ortopedia, cirurgia, clínica geral). Em geral, 52% dos pacientes em hospícios são referidos ao psiquiatra devido a “depressão”, mas apenas metade destes apresenta o quadro.
Fatores etiológicos que justificam a prevalência duas vezes maior de depressão nesta população:
  • Múltiplas perdas de funcionamento social e físico - uma doença por si só é um "golpe narcísico" e abala a autoconfiança e a ideação de invencibilidade que todos temos. Enfrentar a própria finitude e fragilidade pode levar à depressão
  • Futuro incerto e temido
  • Dor, constipação, problemas metabólicos
  • Efeitos colaterais de fármacos - muitos medicamentos podem reduzir os níveis de neurotransmissores responsáveis pelo humor (como serotonina, adrenalina e dopamina), causando um estado depressivo
  • Efeito direto do câncer a nível de neurotransmissores
Diagnóstico

O ponto chave para um diagnóstico correto de depressão nestes pacientes é observar sintomas psicológicos (humor deprimido, pensamentos negativos, culpa, desesperança e anedonia) ao invés de sintomas físicos (sono, apetite e concentração), que tendem a estar alterados devido à doença e seu tratamento.
Muitas vezes utilizamos escalas de depressão para assegurar e pontuar sintomas depressivos, mas estas não são bons instrumentos nesta população: o enfoque em sintomas somáticos pode levar a falsos positivos.
Os critérios abaixo foram criados para auxiliar clínicos que trabalham com pacientes terminais e são o "gold standard" na avalição de depressão em pacientes terminais:

Critérios de Endicott

A presença de 5 ou mais critérios durante 2 ou mais semanas é altamente indicativo de depressão em pacientes terminais:
  • Aparência amedrontada ou introspectiva
  • Retração emocional ou pacientes menos comunicativos
  • Retardo ou agitação psicomotora
  • Humor deprimido, subjetivamente ou observado
  • Marcada diminuição no interesse ou prazer na maioria das atividades durante maior parte do dia
  • Meditação mórbida persistente, pena de si mesmo ou pessimismo
  • Sentimentos de que não tem valor ou culpa excessiva ou inadequada
  • Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio
  • Humor não reativo a eventos ambientais
Continuo o assunto nos próximos posts
Para ler mais: Coluna da revista Época sobre o dia a dia de uma enfermaria de cuidados paliativos no Brasil:
A enfermaria entre a vida e a morte

Lá, eles respeitam o tempo de morrer. Lá, cuidar é mais importante que curar. Lá, todo dia eles respondem: prolongar a vida ou aceitar o fim?

Referências:
 ResearchBlogging.org
Chochinov HM, Wilson KG, Enns M, & Lander S (1994). Prevalence of depression in the terminally ill: effects of diagnostic criteria and symptom threshold judgments. The American journal of psychiatry, 151 (4), 537-40 PMID: 7511875

Derogatis LR, Morrow GR, Fetting J, Penman D, Piasetsky S, Schmale AM, Henrichs M, Carnicke CL Jr. (1983). The prevalence of psychiatric disorders among cancer patients JAMA, 249 (6), 751-757 : 6823028

Lloyd-Williams, M. (2001). Screening for depression in palliative care patients: a review European Journal of Cancer Care, 10 (1), 31-35 DOI: 10.1046/j.1365-2354.2001.00244.x

Mayou, R.; Hawton, K. (1986). Psychiatric disorder in the general hospital The British Journal of Psychiatry, 149 (2), 172-190 DOI: 10.1192/bjp.149.2.172

Foto:
http://www.doh.wa.gov/hsqa/fsl/images/HospiceCareCenter.JPG

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terça-feira, 13 de abril de 2010

O transtorno bipolar: uma introdução rápida II

Impacto do transtorno bipolar

O impacto do transtorno bipolar pode ser observado em vários aspectos da vida dos pacientes. Enquanto que a fase maníaca é mais aparente socialmente, a fase depressiva, com seus sintomas de tristeza persistente, parece causar maior prejuízo funcional. Merikangas et al (2007) estudou diversos pacientes com diagnóstico de bipolar (todos os diagnósticos) e notou que 87% dos que referiram episódios depressivos no ano anterior apresentaram prejuízo no desempenho (trabalho, vida social, atividades de prazer, responsabilidades de casa e familiares), quando comparados com 57% que apresentaram um episódio maníaco ou hipomaníaco no ano anterior.

Devido a ser uma doença que afeta indivíduos que estão a começar suas vidas, o transtorno acarreta prejuízos sociais, educacionais e no desenvolvimento das carreiras, o que pode explicar porque o diagnóstico está associado a maiores níveis de desemprego e piores níveis escolares quando comparado à população geral (Merikangas et al, 2007).
Em 2000, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estimava que o transtorno bipolar era a quinta causa de anos vividos com debilidades entre indivíduos de 15 a 44 anos e a nona causa de anos vividos com debilidades em indivíduos de todas as idades (OMS, 2001). Além disso, a doença é associada a taxas aumentadas de mortalidade por causas "naturais" como doenças cardiovasculares, doenças cerebro-vasculares, problemas gastrointestinais e doenças endócrinas (como o diabetes). Até 50% dos pacientes com o transtorno podem apresentar tentativas de suicídio e morte por suicídio pode chegar a 25% no início da doença (Valtonen et al, 2005).

Os pacientes com transtorno bipolar são usuários pesados dos sistemas de saúde, tanto cuidados primários quanto serviços especializados de psiquiatria. Os americanos são famosos por realizar estudos de farmacoeconomia, no qual o impacto de uma doença em específico é medido em dólares. Estes estudos envolvem os custos do tratamento diretamente (medicamentos, internações) e custos indiretos (como anos perdidos de trabalho e impostos, depredações causadas por atos antissociais, produtividade reduzida, mortalidade em excesso por suicídio, etc). Begley e colaboradores (2001) estimaram que os custos diretos e indiretos do tratamento do transtorno bipolar refratário (que não melhora com medicamentos), que tenha se iniciado em 1998 poderia ser $600.000 dólares (em 1998, mais ou menos 1.054.199,93 Reais ou 441 631.091 Euros). O custo direto do tratamento era responsável por apenas 20% desta quantia.

Metas futuras no transtorno bipolar

Como o transtorno bipolar apresenta sintomas depressivos, muitas vezes ele é confundido e diagnosticado como depressão. Outros diagnósticos equivocados nestes pacientes incluem transtornos de personalidade (borderline), TDAH, transtornos de ansiedade, etc. Infelizmente o diagnóstico equivocado do bipolar pode ter repercussões no curso da doença: Um paciente bipolar não diagnosticado está a perder anos de produtividade e o tratamento inadequado não impede as flutuações do humor. Como escrevi anteriormente no primeiro post desta série, certos pacientes que apresentam muitas fases de alterações do humor podem tornar-se cicladores rápidos, com menor tempo de remissão de sintomas, acarretando maior prejuízo e dificultando o tratamento.

Infelizmente não há provas específicas em psiquiatria para o transtorno e muitas vezes o médico diagnostica o transtorno bipolar como depressão no início da doença porque o paciente apenas apresentou fases depressivas (só posteriormente apresenta uma fase maníaca ou hipomaníaca). Este é um erro honesto. Melhores ferramentas diagnósticas são necessárias na área, mas novas opções terapêuticas também são urgentes. Por exemplo, a grande maioria dos medicamentos em oferta hoje foi aprovada para o tratamento da mania aguda e agem melhor nesta fase do que na depressiva (apesar do bipolar ter predominância de episódios depressivos). O tratamento de manutenção de longo prazo também é de certa forma limitado já que a maior parte dos estabilizadores de humor (lítio, divalproato de sódio, carbamazepina e lamotrigina) são mais eficazes em prevenir a fase maníaca do que a fase depressiva. Muitos pacientes estabilizam "abaixo" da linha de humor eutímico (humor normal), ou seja, eles estabilizam levemente depressivos, o que acarreta prejuízos funcionais e angústia e sofrimento. Esta é uma importante causa de abandono de tratamento (especialmente nos bipolares tipo II), e muitos relatam que pararam o estabilizador de humor pois queriam ter "mais energia" ou "sentir-se melhor". Além disso os medicamentos disponíveis hoje tem sérios problemas de tolerabilidade com efeitos colaterais gastrointestinais e sintomas associados ao Sistema Nervoso Central. Os antipsicóticos (utilizados para conter a agitação e os sintomas psicóticos da fase maníaca) apresentam diversos efeitos colaterais e mesmo os de nova geração apresentam diversos avisos quanto a sedação, ganho de peso e alterações metabólicas.

Referências:

ResearchBlogging.org
Merikangas KR, Akiskal HS, Angst J, Greenberg PE, Hirschfeld RM, Petukhova M, & Kessler RC (2007). Lifetime and 12-month prevalence of bipolar spectrum disorder in the National Comorbidity Survey replication. Archives of general psychiatry, 64 (5), 543-52 PMID: 17485606

OMS (2001). The World Health Report 2001: mental health: new understanding, new hope. Disponível em http://www.who.int/whr/2001/en

Valtonen, H., Suominen, K., Mantere, O., Leppämäki, S., Arvilommi, P., & Isometsä, E. (2005). Suicidal Ideation and Attempts in Bipolar I and II Disorders The Journal of Clinical Psychiatry, 66 (11), 1456-1462 DOI: 10.4088/JCP.v66n1116

Fotos:
http://www.newjerseydisabilitylaw.com/new-je2.jpg

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segunda-feira, 12 de abril de 2010

O transtorno bipolar: uma introdução rápida

O transtorno bipolar compartilha sintomas com a depressão major, mas na verdade é definido por episódios de mania ou hipomania.



A depressão pode incluir sintomas afetivos como tristeza pervasiva (humor depressivo que não melhora), falta de prazer e interesse em atividades antes prazeirosas (anedonia/apatia) e irritabilidade (mais comum em crianças e adolescentes). Os sintomas cognitivos do quadro depressivo incluem baixa auto-estima e concentração, indecisão, sentimentos de culpa e pensamentos suicidas, além de sintomas físicos como retardo psicomotor ou agitação, insônia ou hipersonia, e reduções no apetite e energia.
É importante lembrar que nem tudo que tem listras é zebra e outras doenças e situações de vida podem apresentar-se com os sintomas descritos acima, por isso apenas um profissional da área pode realmente definir um diagnóstico de pressão.

De certa forma, a mania é uma imagem refletida da depressão e os sintomas podem incluir humor eufórico e expansivo ou irritável, sintomas cognitivos como aumento da auto-estima, distraibilidade e fuga de pensamentos (quando os pensamentos ficam tão rápidos que o paciente não consegue manter controle sobre eles, mudando de um assunto para o outro), e sintomas comportamentais como aumento da atividade psicomotora e impulsividade. Um sintoma muito distintivo (mas nem sempre presente) é uma necessidade reduzida de horas de sono: o paciente que antes dormia 8 horas dorme apenas 2 horas por noite, por exemplo, e acorda descansado. Embora o paciente tenha muita energia, de forma geral há uma desorganização do comportamento (justamente pelo excesso de atividade) e embora o paciente comece muitos projetos, dificilmente os termina. Da mesma forma que na depressão major, outras doenças, e até mesmo certos medicamentos (como corticóides, anorexígenos, anfetaminas) podem causar sintomas maníacos (sintomas típicos da mania) e o quadro não pode ser diagnosticado como transtorno bipolar.

Já a hipomania não é tão severa quanto a mania e geralmente é caracterizada como "uma mania" leve a moderada". Inclusive encontramos pacientes muitas vezes com melhora da função (término de projetos iniciados) ao invés de deterioração.

Prevalência

O transtorno bipolar (em uma abordagem bastante ampla e vaga, incluindo todos os subdiagnósticos) tem uma prevalência na comunidade de 4%. Ou seja, a cada 100 pessoas, 4 podem apresentar o transtorno. Em geral 1% da população apresenta o transtorno bipolar tipo I (vide abaixo), 1% apresentam o tipo II, e 2% apresentam ciclotimia ou transtorno bipolar não especificado (Merikangas et al, 2007).

Não há qualquer evidência de alteração da prevalência do transtorno em raças ou etnias:brancos, negros, índios, asiáticos, etc tem a mesma prevalência (Merikangas et al, 2007). Sexo também não faz qualquer diferença na prevalência, mas aparentemente as mulheres tem maior risco para serem cicladoras rápidas (vide abaixo) e a apresentar sintomas mistos (idem) do que os homens (Tondo e Baldessarini, 1998). O pico de início dos sintomas para todos os transtornos bipolares varia do final da adolescência até o adulto jovem e mais de dois terços dos pacientes apresentam os primeiros sintomas antes dos 18 anos de idade (Weissman et al, 1996).

Os subtipos do transtorno bipolar

Transtorno bipolar tipo I


O tipo I diferencia-se dos outros tipos pela presença de pelo menos um episódio maníaco ou episódio misto. No episódio misto, estão presentes tanto os sintomas de um episódio maníaco e de um episódio depressivo ao mesmo tempo (ocorrem no mesmo dia). Embora episódios depressivos não sejam necessários para o diagnóstico, eles são vistos na maioria dos pacientes. Ou seja: apenas a fase maníaca (sintomas de euforia) é suficiente para se caracterizar como bipolar tipo I. Como dito acima, o transtorno ocorre de forma igual nos dois sexos mas nas mulheres o primeiro episódio tende a ser depressivo e nos homens, maníaco. Em geral 90% dos pacientes com bipolar tipo I terão episódios recorrentes, com as fases de remissão tornando-se cada vez menores entre os episódios (quanto maior a idade e maior o número de episódios na vida, maior tendência a ter mais episódios com encurtamento da fase de remissão) (APA, 2000). Em geral, uso de substâncias (drogas), transtornos de ansiedade e em menor grau, transtornos alimentares e déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) podem ser comórbidos com o transtorno bipolar tipo I (McIntyre et al., 2004)


Transtonor bipolar tipo II


O tipo II é caracterizado por um ou mais episódios depressivos e pelo menos um episódio hipomaníaco. O transtorno tipo II parece ser mais comum em mulheres e estas parecem apresentar mais episódios depressivos ou hipomania disfórica (humor irritável) enquanto que os homens apresentam mais episódios hipomaníacos "puros" (euforia leve).
Quando se olha o gráfico, uma pessoa pode pensar que o bipolar tipo II é mais leve já que a hipomania não é tão grave quanto a mania e psicose é rara neste subtipo (embora os pacientes possam apresentar depressão psicótica). Entretanto, o tipo II não deve ser subestimado já que o peso do episódio depressivo na vida do paciente parece ser mais substancial que no bipolar tipo I. As taxas de ideação e tentativa de suicídio são altas nos dois tipos e no tipo II a depressão parece durar mais e ser mais clinicamente significativa do que no tipo I.
Pacientes cicladores rápidos (que apresentam pelo menos 4 episódios de alteração do humor por ano, geralmente refratários a tratamento) são mais comuns no tipo II. Comorbidades comuns incluem uso de substâncias, ansiedade e em menor grau, transtornos alimentares, TDAH, transtorno disfórico pré-menstrual e personalidade borderline.
Transtorno ciclotímico

O transtorno ciclotímico é caracterizado por um padrão recorrente de episódios hipomaníacos e episódios depressivos leves a moderados (APA, 2000). Os sintomas são mais leves (não preenchendo critérios diagnósticos para mania ou depressão major) mas o distúrbio do humor é crônico e os pacientes nunca estão livres de sintomas por mais do que 2 meses em um período de dois anos. Comparado aos bipolar I e II, a ciclotimia tem maior frequência, mas menor amplitude nas alterações do humor. Embora não haja diferenças entre os sexos, mais mulheres procuram ajuda do que homens e em geral os pacientes não vão ao médico com queixas de humor, mas por quadros comórbidos como transtornos de ansiedade, uso de substâncias e transtornos de personalidade. Em geral, 15 a 50% dos pacientes diagnosticados com transtorno ciclotímico progridem para bipolar tipo I ou II (mais comumente).

Transtorno bipolar não especificado

Esta é uma categoria residual, na qual se diagnosticam pacientes com aspectos bipolares que não preenchem critérios específicos para os tipos acima descritos. Por exemplo, um paciente que tem diversos episódios hipomaníacos mas nenhum depressivo, episódios que duram pouco tempo, etc.

Este post continua aqui

Fotos: http://i.ehow.com/images/a04/q4/0k/bipolar-disorder-genetic-800X800.jpg
Gráficos: meus mesmo

Referências
ResearchBlogging.org
American Psychiatric Association (APA). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fourth Edition, Text Revision. Washington, DC: American Psychiatric Association; 2000

Merikangas, K., Akiskal, H., Angst, J., Greenberg, P., Hirschfeld, R., Petukhova, M., & Kessler, R. (2007). Lifetime and 12-Month Prevalence of Bipolar Spectrum Disorder in the National Comorbidity Survey Replication Archives of General Psychiatry, 64 (5), 543-552 DOI: 10.1001/archpsyc.64.5.543

Tondo L, Baldessarini RJ. Rapid cycling in women and men with bipolar manic-depressive disorders. Am J Psychiatry. 1998;155(10):1434–1436. Texto completo disponível aqui.

Weissman, M. (1996). Cross-national epidemiology of major depression and bipolar disorder JAMA: The Journal of the American Medical Association, 276 (4), 293-299 DOI: 10.1001/jama.276.4.293

McIntyre, R., Konarski, J., & Yatham, L. (2004). Comorbidity in bipolar disorder: a framework for rational treatment selection Human Psychopharmacology: Clinical and Experimental, 19 (6), 369-386 DOI: 10.1002/hup.612

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Todos vivemos no sótão

Este post é dedicado a Exhamia, que disse trancar-se no sótão voluntariamente (vide Jane Eyre e a loucura). Muitos posts hoje! Este um bocado autobiográfico.

Sempre achei que todos somos casas com muitos quartos vazios. E um sótão, onde trancamos a louca, ou os impulsos de todos nós. Entendo sua necessidade de solidão e de afastar-se de tudo. A solidão pode ser muito terapêutica. Quando mudei para Portugal, embora trabalhasse e estudasse, não conhecia ninguem. A única companhia que tive, por meses a fio, para tomar um café, para passear comigo, era eu mesma. E assim, tive que abrir as temerosas portas ruidosas dos quartos da "minha casa", retirar os lençois que cobriam os móveis... Abrir os armários e enfrentar os esqueletos que lá se escondiam foi o mais difícil. Tive que lidar com eles um por um. Aprendi a tê-los por companhia. Não mais saía sozinha para tomar café. Meus medos e culpas me acompanhavam agora não como sombras mas como amigos que me fortaleciam. Não precisava mais me esconder no canto do café, tímida e com medo de estar sendo analisada. Hoje digo que eles se sentam comigo à mesa e debatemos longamente. Aprendi a apreciar a solidão e às vezes até mesmo a ansiar por ela. Quando finalmente tive companhia física para tomar um café, não havia mais aquela "necessidade" de alguém. Eu satisfazia a mim mesma. E os que passaram a me acompanhar a partir de então enriqueciam meu colorido mundo interno.

Encontrei este poema de Judah Emanuel que diz respeito ao assunto:

Os Dias ( Ou memórias de um quarto vazio )

Entre dias cinzas eu pairo
riscando sorrisos amargos ao nada
desenhando lágrimas
nos braços da solidão
esboço memórias passadas
em palavras tristes
Mais entre palavras e sonhos
ouso gritar para o vão
pra o só
ser só mais fraco então
pra esse sorriso
ser amargo mais não
nele cabe um mundo
cantando sempre riso
o vivo
e o motivo
de ser feliz
e à solidão cabe o tempo
destroçar
derrubar e derrotar
e bate ao peito o calor
reclamar à si felicidade
sem temor
e o dia se faz azul
nem estás só assim.

PS: Só não confunda solidão com auto-isolamento. O isolamento social leva à depressão e não faz bem à ninguem. Isolamento quer dizer não querer ver ninguém na maior parte do tempo, ao invés de sentir-se sozinha (como ocorre na solidão).

Foto: http://rtmulcahy.files.wordpress.com/2007/05/empty-house.jpg

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Melancolia vs depressão

Este post é uma resposta a Rodrigo, que comentou sobre melancolia e depressão e trouxe uma indagação muito boa para ser respondida em forma de comentário apenas. Ele queria entender (não com estas palavras) qual a diferença entre melancolia e depressão.

Você pode afirmar que sabe a diferença?

Um dicionário online traz que

Melancolia (do grego μέλας "negro" e χολή "bilis") é um estado psíquico de depressão sem causa específica. Se caracteriza pela falta de entusiasmo e predisposição para atividades em geral. Melancolia é uma das "características" da Depressão Maior. A duração do estado depressivo deve ser superior a dois anos, afetando as funções básicas do dia-a-dia de uma forma considerável. A melancolia pode ou não estar presente na pessoa que sofre de depressão maior
Melancolia por Albrecht Dürer (1471 – 1528)

Hipócrates (460-377 a.C.) foi quem postulou o conceito de Melancolia. Ele acreditava que a maioria das doenças resultava de transtornos de humores. Por humores, entenda-se "líquidos" que circulavam no corpo: sangue, bílis, linfa e fleuma. De acordo com a predominância de um ou outro destes "líquidos", as personalidades poderiam ser sanguíneos, melancólicos, coléricos e fleumáticos. Ou seja: uma pessoa era melancólica se apresentava um excesso de bílis negra a circular no corpo, que causava os sentimentos negativos (tristeza, apatia, etc.). Para Hipócrates, a doença começava no baço, órgão influenciado por Saturno: o astro induzia o órgão a expelir o excesso de bílis causador da melancolia. Durante a Idade Média, na qual superstições e religiosidade dominavam o campo da psiquiatria, era comum atribuir fatores astrológicos às doenças mentais. Só com o Renascimento e Iluminismo esta atitude mudou.

No século 10, Avicena, um médico e filósofo persa, descreveu no seu Canon de Medicina várias perturbações neuropsiquiátricas, inclusive a melancolia, que definiu como um estado depressivo de humor no qual a pessoa suspeita de tudo e desenvolve certas fobias (Haque, 2004).

No clássico artigo de FreudLuto e Melancolia (1917), ele já previa uma certa dificuldade para definir esta condição emocional. Freud acreditava que a melancolia se assemelha ao luto, mas sem o contexto da perda. Na melancolia o objeto perdido é mais emocional que real. Além disso, o paciente melancólico sofre um profundo abalo de sua auto-estima, o que não ocorre no luto (no qual o indivíduo mantém o senso de auto-estima razoavelmente intacto). O problema na identificação da melancolia é que ela se manifesta de diversas formas, dificultando seu enquadramento em um bloco único.

Segundo Santana (2007),
Alguns vêem a melancolia não só como uma doença, mas como um estado de espírito, algo passageiro. O sucesso desse tema, de qualquer forma, revela uma grande identidade do público com ele, tanto nos séculos passados, quanto nos tempos atuais. Ele é igualmente objeto de divagações filosóficas, e um assunto muito caro ao filósofo Walter Benjamin. Recentemente, o escritor Moacyr Scliar escreveu o livro Saturno nos Trópicos, no qual também explora esse filão. Para o autor, o que mais se aproxima do estado de melancolia é o sono, porque ambos conduzem a um certo entorpecimento, à falta de ação, a uma carência de iniciativa própria. A literatura brasileira está repleta de protagonistas que tendem para o humor melancólico – o médico de O Alienista, de Machado de Assis, e o mais conhecido, o Jeca Tatu, de Monteiro Lobato.

Esta tendência a ver a melancolia como inspiradora vem do período romântico ou Romantismo, movimento artístico, político e filosófico surgido nas últimas décadas do século 18 na Europa. O Romantismo buscou opor-se ao Racionalismo e iniciou um culto da melancolia. A imagem do escritor pálido, tuberculoso, apreciador de absinto que escrevia obras trágicas e morria jovem vem desta época. Interessante notar, que ainda hoje observa-se traços do romantismo especialmente no meio artístico brasileiro: Devido ao culto da melancolia (e do abuso de entorpecentes), os autores da época acreditavam que "sofriam" mais que o resto da sociedade e que esta de tal forma lhes deveria aceitar com seus defeitos e qualidades. Este discurso ainda hoje é ouvido no Brasil como justificativa para estes comportamentos no meio artístico (quem nunca ouviu alguém falando: "ah, ele se droga, não é? Os artistas são assim mesmo, mais sensíveis").
Retirado do blog "Meu divã é na cozinha", de Vanessa Souza Moraes

Depressão s. f. Fig. Abatimento; enfraquecimento físico ou moral; desânimo; esgotamento (No dicionário online).
Segundo Del Porto (1999), "O termo depressão, na linguagem corrente, tem sido empregado para designar tanto um estado afetivo normal (a tristeza), quanto um sintoma, uma síndrome e uma (ou várias) doença(s). (...)
Enquanto sintoma, a depressão pode surgir nos mais variados quadros clínicos, entre os quais: transtorno de estresse pós-traumático, demência, esquizofrenia, alcoolismo, doenças clínicas, etc. Pode ainda ocorrer como resposta a situações estressantes, ou a circunstâncias sociais e econômicas adversas.

Enquanto síndrome, a depressão inclui não apenas alterações do humor (tristeza, irritabilidade, falta da capacidade de sentir prazer, apatia), mas também uma gama de outros aspectos, incluindo alterações cognitivas, psicomotoras e vegetativas (sono, apetite).
Finalmente, enquanto doença, a depressão tem sido classificada de várias formas, na dependência do período histórico, da preferência dos autores e do ponto de vista adotado. Entre os quadros mencionados na literatura atual encontram-se: transtorno depressivo maior, melancolia, distimia, depressão integrante do transtorno bipolar tipos I e II, depressão como parte da ciclotimia, etc."

Segundo o mesmo autor, a melancolia tem sido empregada na terminologia científico-psiquiátrica para designar um cluster de sintomas da depressão endógena (que aparentemente quanto mais melancólica, mais responsiva a tratamento) nas classificações atuais. Assim um Diagrama de Venn básico sobre o assunto como é visto hoje seria:
Quanto à origem do termo e do seu uso em medicina, a palavra "depressão", é derivada do latim deprimere" e significa abaixar. A partir do século 14, enquanto o termo melancolia ainda era bastante usado, "deprimir" significava subjugar ou rebaixar o espírito. Dois autores ingleses (Richard Baker, 1665 e Samuel Johnson, 1753) utilizaram o termo no sentido de alguém sentir "grande depressão do espírito".
O uso do termo para designar um sintoma pode ser visto nos trabalhos do psiquiatra francês Louis Delasiauve em 1856 e por volta de 1860 já aparecia em diversos dicionários médicos, com significado de redução da função emocional (Berrios, 1988). Engraçado entender que, como ilustrado acima, o termo melancolia tenha sido utilizado mais para homens brilhantes desde os tempos dos gregos, como se a melancolia fosse a maldição atribuída ao grande exercício das faculdades mentais por pessoas brilhantes, enquanto que o termo depressão, no século 19, era utilizado mais para mulheres e de certa forma, estava ligado à hipocondria (Radden, 2003).

Embora a melancolia tenha continuado como termo diagnóstico predominante, o uso do termo depressão ganhou força nos tratados médicos até que o psiquiatra grego Emil Kraepelin usou-o de forma intensa para referir-se aos diversos tipos de melancolia como estados depressivos.
Outro psiquiatra alemão, Kurt Schneider, cunhou os termos "depressão endógena" e "depressão reativa" em 1920, para designar depressão que surge de forma patológica, sem necessidade de estímulos internos (a primeira) e depressão resultante de estressores de vida.

O primeiro DSM, de 1952, continha o termo depressão reativa. Já o DSM-II de 1968, com o avanço da psicanálise trazia o termo neurose depressiva, definida por uma reação excessiva a conflitos internos ou eventos identificáveis. Neste século, diversas teorias sobre a depressão surgiram (que merecem um post só para elas) para explicar as causas e propor tratamentos.

Para concluir, devo afirmar que adorei a participação do Rodrigo no blog. Como havia acontecido anteriormente no post Banzo negro, que foi "sugerido" por uma leitora do blog, uma simples pergunta mostrou-se extremamente complexa para responder, requerendo uma análise epistemológica dos termos, auxiliada por uma viagem histórica.
Espero que tenha esclarecido as dúvidas de uma forma clara para auxiliar quem está em tratamento e quer entender melhor o que se passa ou para quem quer conhecer melhor a área.



Referências

ResearchBlogging.org

Berrios, G. (1988). Melancholia and depression during the 19th century: a conceptual history The British Journal of Psychiatry, 153 (3), 298-304 DOI: 10.1192/bjp.153.3.298

Davison, K. (2009). Historical aspects of mood disorders Psychiatry, 8 (2), 47-51 DOI: 10.1016/j.mppsy.2008.10.019

Freud, S. Luto e Melancolia (1017). Disponível na íntegra em http://www.scribd.com/doc/16372739/LUTO-E-MELANCOLIA-FREUD

Haque, A. (2004). Psychology from Islamic Perspective: Contributions of Early Muslim Scholars and Challenges to Contemporary Muslim Psychologists Journal of Religion and Health, 43 (4), 357-377 DOI: 10.1007/s10943-004-4302-z

José Alberto Del Porto (1999). Conceito e diagnóstico Revista Brasileira de Psiquiatria, 21 (1), 6-11 : 10.1590/S1516-44461999000500003

Radden, J. (2003). Is This Dame Melancholy?: Equating Today's Depression and Past Melancholia Philosophy, Psychiatry, & Psychology, 10 (1), 37-52 DOI: 10.1353/ppp.2003.0081

Santana, A.L. (2007). Melancolia. Disponível no Infoescola em http://www.infoescola.com/psicologia/melancolia/

Wikipedia. History of depression. http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_depression#cite_note-Radden2003-2

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