sexta-feira, 3 de junho de 2011

Dependência emocional e codependência

Dependência é normal para crianças e esperada em pessoas doentes. Não é saudável em adultos!

Você consegue reconhecer dependência? Pessoas dependentes geralmente tendem a fugir de responsabilidades, reclamam constantemente, culpam os outros e mentem para evitar as consequências de seus atos. Pessoas dependentes não desenvolvem as qualidades e habilidades essenciais para suportar uma vida adulta saudável. Eles manipulam ou demandam dos outros que façam o que não conseguem fazer por si mesmos. 

Você é dependente?

Se você define amor como um comportamento que satisfaz suas necessidades é provável que sim. Desta forma, suas expressões de amor exigem que outros ajam nas suas necessidades, de forma exigente. Se você é um dependente emocional você acredita que sua segurança emocional e seu valor (autoestima) requer a presença constante e reconfortante de outra pessoa. 

Você se preocupa intensamente com outra pessoa? Você precisa estar perto daquela pessoa? Você se sente perdido quando não não consegue estar perto? Você precisa do amor exclusivo e absoluto de alguém e só procura sua compania? Você vê os amigos e familiares desta pessoa como competição? Você é ciumento? Você só consegue se decidir ou agir se a pessoa em questão aprovar?

O que vamos discutir aqui não é a dependência infantil, normal como dito acima, ou a dependência dos doentes ou dos idosos. Neste post discutiremos a dependencia emocional vista em adultos, especialmente nos relacionamentos amorosos. Mas lembre-se: relacionamentos codependentes podem acontecer no seio da família, no ambiente de trabalho, entre amigos, etc...

Abaixo há uma pequena lista de características de Amor versus Amor Tóxico ou dependente (resumida do livro de M. Beattie & T. Gorski):

  1. Amor - desenvolvimento do self (identidade) é a prioridade
  2. Amor Tóxico - obsessão com o relacionamento
  3. Amor - espaço para crescer, expandir, desejo que o outro cresça também
  4. Amor tóxico - Segurança, conforto na mesmisse; intensidade da necessidade do outro visto como prova de amor (enquanto que na verdade pode ser apenas medo, insegurança, solidão)
  5. Amor - Interesses separados: outros amigos, mantém relacionamentos significativos com outros
  6. Amor tóxico - envolvimento total, vida social limitada, negligencia velhos amigos e interesses
  7. Amor - encoraja um ao outro a expandir, há segurança em seu próprio valor
  8. Amor tóxico - preocupação com o comportamento do outro, medo da mudança
  9. Amor - confiança apropriada (confia no parceiro e em como ele age)
  10. Amor tóxico - ciúmes, possessividade, medo de competição, protege a "demanda"
  11. Amor - compromisso, negociação, tomam a liderança em turnos. Resolvem problemas juntos
  12. Amor tóxico - brigas pelo poder, culpam o outro, manipulação passivo-agressiva
  13. Amor - acolhem a individualidade do outro
  14. Amor tóxico - tenta mudar o outro para que se pareça com sua própria imagem
  15. Amor - O relacionamento é focado na realidade
  16. Amor tóxico - relacionamento baseado na fantasia e no evitamento do desprazer
  17. Amor - Os parceiros cuidam de si mesmo, o estado emocional não depende do humor do outro
  18. Amor tóxico - expectativa de que o parceiro o curará e o resgatará
  19. Amor - Desligamento amoroso (preocupação saudável com o parceiro, enquanto o permite ser individual)
  20. Amor tóxico - fusão (obcecado com os sentimentos e problemas do parceiro)
  21. Amor - o sexo é de livre escolha para demonstrar crescimento, carinho e amizade
  22. Amor tóxico - pressão sobre a área sexual devido a insegurança, medo e necessidade de gratificação imediata
  23. Amor - habilidade para gostar de estar sozinho
  24. Amor tóxico - incapaz de suportar separação, pessoa grudenta
  25. Amor - ciclos de conforto e contentamento
  26. Amor tóxico - cliclos de dor e desespero
Analise as mensagens sobre relacionamentos com as quais você é bombardeado diariamente: relacionamentos na TV, nas novelas, nos filmes. Preste atenção crítica a letras de músicas e canções de amor. Nós diariamente somos bombardeados com modelos de dependência emocional!

Afinal, o que é codependência ou dependência emocional?
 
A codependência ou dependência emocional é uma tendência de se comportar passivamente em excesso, que leva a impacto negativo nos relacionamentos e na qualidade de vida de um indivíduo. É geralmente vista como colocando as necessidades do indivíduo abaixo das necessidades dos outros e ficar preocupado em excesso com outros.
Historicamente o conceito foi retirado dos Alcoólicos Anônimos (AA), que mostrava que o problema não era só do dependente químico, mas também dos amigos e familiares que constituem a rede social do alcoolista (já escrevi um post sobre isso aqui).
 
Características da codependência
 
Na codependência os comportamentos, pensamentos e sentimentos vão além do que é normal para cuidados e auto-sacrifício. Numa relação parental, por exemplo, a mãe pode passar a sacrificar toda sua vida e relacionamento com pai (inclusive sexual) em prol de cuidar 100% do tempo da criança. Isso é ruim para a criança também. Em geral, um pai que cuida de si primeiro de forma saudável será um melhor cuidador do que um pai codependente que pode até mesmo causar danos aos filhos.
 
Os Co-dependentes Anônimos oferences os seguintes padrões e características como ferramenta para auxiliá-lo em uma autoavaliação:
 
 
Padrões de Negação:
  • Tenho dificuldade em identificar o que sinto.
  • Eu minimizo,altero ou nego como realmente me sinto.
  • Percebo a mim mesmo como completamente sem egoísmo e dedicado ao bem estar dos outros.
  • Falta-me empatia pelos sentimentos e necessidades de outros.
  • Eu rotulo outros com meus traços negativos.
  • Cuido de mim mesmo sem qualquer ajuda de outros.
  • Mascaro minha dor de várias formas como raiva, depressão e isolamento.
  • Eu expresso negatividade ou agressão de forma indireta e passiva.
  • Não reconheço que outros pelos quais me sinto atraído possam não estar disponíveis.
Padrões de baixa autoestima:
  • Tenho dificuldades em tomar decisões.
  • Julgo tudo o que penso ou digo duramente, como se nunca fosse bom o suficiente.
  • Fico envergonhado ao receber reconhecimentos, elogios ou presentes.
  • Nunca peço aos outros que reconheçam meus desejos ou necessidades.
  • Valorizo mais a opinião dos outros do que a minha sobre o que penso, sinto e como ajo.
  • Não me vejo como alguém que mereça amor ou atenção.
  • Constantmente busco reconhecimento que acho que mereça.
  • Tenho dificuldades em admitir que errei.
  • Tenho que parecer correto aos olhos dos outros e até minto para que parecer melhor.
  • Acho-me superior aos outros.
  • Preciso de outros para me sentir seguro.
  • Tenho dificuldades em começar atividades, completar prazos e projetos.
  • Tenho dificuldades em estabelecer prioridades mais saudáveis.
Padrões de evitamento:
  • Ajo de forma convidativa a outros para me rejeitar.
  • Julfo duramente o que os outros pensam, sentem, falam e fazem.
  • Evito intimidade emocional, física ou sexual como forma de me distanciar.
  • Permito que minhas dependências a pessoas, lugares e coisas me distraiam de atingir real intimidade nos relacionamentos.
  • Uso comunicação indireta e evasiva para evitar conlitos ou confrontações.
  • Atraio as pessoas, mas quando elas estão próximas, eu as evito.
  • Acredito que demostrações de emoção são sinais de fraqueza.
Padrões de cumplicidade:
 Eu comprometo meus próprios valores e integridade para evitar rejeição por parte de outros.
  • Eu sou muito sensível a como os outros se sentem e sinto o mesmo.
  • Sou extremamente leal, permanecendo em situações danosas por muito tempo.
  • Eu valorizo mais a opinião dos outros do que a minha própria e tenho medo de expressar opiniões e sentimentos diferentes.
  • Deixo de lado meus próprios interesses e hobbies para fazer o que os outros querem.
  • Aceito sexo ou atenção sexual quando procuro amor.
  • Tenho medo de expressar minhas opiniões e crenças quando diferentes do que os outros pensam.
  • Tomo decisões sem pensar nas consequências.
Padrões de controle:
  • Acredito que a maioria das pessoas é incapaz de cuidar de si mesmas.
  • Tento convenceros outros sobre o que "deveriam" sentir ou pensar.
  • Fico ressentido quando outros não me deixam ajudá-los.
  • Ofereço conselhos abertamente, sem ter sido convidado a isso.
  • Gasto com presentes luxuosos e favores naqueles que me são importantes.
  • Utilizo o sexo para ganhar aprovação e aceitação dos outros.
  • Necessito que "precisem" de mim para me relacionar com outros.
  • Exijo que minhas necessidades sejam acolhidas pelos outros.
  • Uso meu charme e carisma para convencer os outros de minha capacidade de compaixão e cuidado.
  • Uso culpa e vergonha para explorar emocionalmente os outros.
  • Recuso-me a cooperar, comprometer ou negociar.
  • Adoto uma atitude de indiferença, desesperança, autoridade ou raiva para manipular resultados.
  • Finjo concordar com outros para conseguir o que quero.

 

Recuperação

Existem várias formas de tratamento da dependência emocional. Muitos optam por psicoterapia e algumas pessoas usam medicamentos psiquiátricos quando o quadro é associado à depressão.
Um dos principais aspectos da intervenção familiar, feita na psicoterapia, é a identificação de padrões de codependência na família. Também existem diversos livros de autoajuda no mercado que lidam com a dependência emocional.

Qual o problema da dependência emocional a longo prazo?

Padrões mal resolvidos de codependência podem levar a problemas como alcoolismo, dependência química, transtornos alimentares, dependência sexual e outros comportamentos autodestrutivos.Pessoas com padrões de dependência tem maior probabilidade de serem abusadas por indivíduos agressivos (bullying), de ficar em empregos insatisfatórios e estressantes, e de permanecer em relacionamentos abusivos. Além disso, estas pessoas procuram menos ajuda médica quando necessária, são preteridas nas promoções no trabalho e ganham menos quando comparadas a outros indivíduos.

Referências

  • "Cluster C Personality Disorders," in: Diagnostical and Statistical Manual of Mental Disorders DSM-IV, Washington: American Psychiatric Association, 4th ed. 1994, ISBN 0-89042-062-9, 662-673.
  • "Codependence," in: Benjamin J. Sadock & Virginia A. Sadock (eds), Kaplan & Sadock's Comprehensive Textbook of Psychiatry on CD, Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 7th ed. 2000, ISBN 0-7817-2141-5, 20703-20707.
  • Anonymous Co-Dependents Anonymous, Phoenix: Co-Dependents Anonymous, 1st ed. 1999, ISBN 0-9647105-0-1, 3-6.
  • M Beattie. Beyond Codependency
  • T Gorski. Getting Love Right
  • Wikipedia - Codependency
Foto: http://sasstrology.com/2010/07/codependency-neptune-and-the-tangle-of-human-relationships.html
http://www.gizmodiva.com/fashion/codependency_suit_to_make_couples_feel_stifled.php

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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Abuso e dependência de substâncias na terceira idade

Na terceira idade, a comorbidade do abuso de substâncias é a forma de apresentação mais comum. É um quadro muitas vezes não avaliado adequadamente, o que é uma pena, visto que os idosos aderem melhor ao tratamento do transtorno de uso/abuso de substâncias do que outros grupos etários.

Uso/Abuso de álcool

 
Dois terços dos homens e um terço das mulheres com mais de 65 anos de idade ingerem bebidas alcoólicas pelo menos uma vez por semana. 19% dos homens e 5% das mulheres bebem mais de 4 e 3 unidades (respectivamente) de álcool por dia. Há uma crescente porcentagem de indivíduos que excedem as unidades de álcool diárias recomendadas por 2/3 entre 1984 e 2004.

 
Detecção da dependência de álcool nos idosos

 
Ferramentas de rastreio – não são utilizadas nos cuidados primários: pouco tempo para consultas, treinamento inadequado, ideia generalizada de que há pouca evidência sobre o sucesso do tratamento e as escalas desenvolvidas para adultos e jovens podem não ser sensíveis o suficiente para indivíduos da terceira idade.
Ferramentas de rastreio específicas para a terceira idade: short MAST-G (Michigan Alcohol Screening Test – Geriatric Version); Drinking Problems Index e Alcohol-Related Problems Survey.

 
Interações farmacocinéticas do álcool com medicamentos:

 

 
Barreiras à identificação dos pacientes e ao tratamento:
  • Estigma
  • “ageism” – racionalização de que as dificuldades deste grupo etário se devem tão simplesmente ao envelhecimento
  • Falta de treinamento adequado da equipe técnica
  • “misattribution” – pensar que os sintomas do abuso de álcool, como déficit cognitivo ou transtornos do humor, se devem à idade do paciente ou atribuir os efeitos físicos do abuso a traços de personalidade como “ele sempre dormiu/comeu mal”.
 Identificação do uso/abuso de álcool na terceira idade

 
O abuso de álcool é menos prevalente em indivíduos idosos, mas implica em:
Dificuldades médico-legais
Problemas judiciais como dirigir embriagado
Ofensas a terceiros
Violência doméstica

A forma de apresentação mais comum do abuso/dependência de álcool nestes indivíduos é:
  • Deterioração lenta dos cuidados pessoais e das atividades domésticas na ausência de doença orgânica que justifique estes sintomas
  • Transtorno depressivo
  • Demência
  • Desnutrição
  • Desidratação
  • Quedas
O consumo de álcool ocorre mais comumente em casa e pode ser utilizado como uma medida para lidar com dor, insônia, ansiedade, isolamento social ou luto.

 
Entrevista motivacional

 
A entrevista motivacional é uma intervenção psicológica desenhada para ajudar na identificação e reconhecimento do próprio uso de substâncias e direcionar o paciente à cessação dos consumos. É uma abordagem não confrontacional que evita rotular o paciente e aceita a perspectiva do mesmo como um ponto de partida sobre o qual trabalhar para conseguir a mudança. Ambivalência e relapso (recaída) são reconhecidos e vistos como oportunidades para direcionar o paciente a objetivos de saúde.

 
FRAMES:
Feedback
Responsabilidade pela mudança reside com o indivíduo
Advice (conselhos)
Fornecer um Menu de opções de mudança
Um estilo de aconselhamento/terapia EMPÁTICO
Aumentar a auto-eficácia (SELF EFFICACY)
Os pacientes muitas vezes passam e voltam a diferentes estágios durante o curso do tratamento.

Comorbidade/comorbilidade psiquiátrica

 
Abuso/dependência de álcool e depressão
Luto
Mudanças no papel social após a aposentadoria
Restrições e dificuldades relacionadas à idade
O uso de álcool aumenta o risco de depressão e o risco de suicídio nestes pacientes é 60 a 120 vezes maior do que na população geral.
Alcohol Epidemiologic Survey: indivíduos com mais de 65 anos que são depndentes do álcool apresentam 3 vezes mais risco de ter um transtorno depressivo (depressão major). Para a maioria dos pacientes, a sintomatologia depressiva resolve com a abstinência em 2 a 4 semanas.

Álcool e doenças cerebrais
Demência alcoólica primária: prejuízo cognitivo associado a alterações cerebrais pelo uso do álcool. Melhora com a abstinência.

Demência associada ao uso de álcool:
É a comorbidade mais comum entre as doenças cerebrais, melhora com a abstinência e tem o álcool como principal contributor para o quadro.
Critérios para condição provável:
-diagnóstico de demência 60 dias após a última exposição ao álcool
-consumo significativo da substância nos 3 anos anteriores ao início do quadro.
Estes critérios são aliados à presença de:
-dano a órgãos (fígado, por exemplo), relacionado ao consumo de álcool
-ataxia ou polineuropatia sensorial periferal não isquêmica
-melhora ou estabilização do prejuízo cognitivo
-melhora das alterações radiológicas após 60 dias de abstinência e evidência (neuroimagem) de atrofia cerebelar
Os seguintes critérios causam dúvida no diagnóstico de demência associada ao uso de álcool:
-prejuízo da linguagem
-sinais neurológicos focais
-evidência em neuroimagem de infarto ou hemorragia

Abuso/dependência de benzodiazepínicos (ou benzodiazepinas)
BZD são os psicofármacos mais comumente prescritos na terceira idade: 13-23% dos pacientes que vivem em comunidades (residências) as utilizam, 50% para os indivíduos com mais de 75 anos. Mais comum em mulheres. 1 em cada 10 idosos apresentam efeitos adversos como redução do tempo de reação e quedas (aumentam incrivelmente o risco de quedas).
Os idosos não apresentam os sintomas clássicos de abstinência de BZD (ansiedade, insônia, alterações perceptuais) e sim alteração do nível de consciência e desorientação

Abuso/dependência de outras substâncias
Nicotina - Principal causa de morte prematura. A cessação dos consumos na meia idade evita em 90% o risco de câncer de pulmão. É a substância mais comumente utilizada em idosos alcoólicos – 5 vezes mais comum neste grupo.

Drogas ilícitas - Cohortes de nascimento que evidenciam aumento nas taxas de uso de drogas ilícias apresentam maiores taxas na terceira idade. A mortalidade é 12 a 22 vezes maior em utilizadores de drogas idosos e estes apresentam 2 a 6 vezes mais risco de óbito relacionado à droga do que utilizadores mais jovens (overdose, por exemplo).

 Outras substâncias - Medicamentos para dor e tosse: 90% dos indivíduos com mais de 75 anos utilizam uma ou mais drogas vendidas livremente em farmácias

Comorbidades físicas

 
BZD – cansaço, tonturas, problemas com equilíbrio. A dependência desenvolve-se gradualmente com pequenas doses. Podem apresentar convulsões na retirada.

 
Opiáceos – diminuem o reflexo da tosse, respiração, pulso e pressão arterial. Lentificação do intestino leva a constipação.

 
Cannabis – associada a câncer de pulmão e câncer de cabeça e pescoço

 
Estimulantes – hipertensão, arritimias, derrame (AVC), danos renais e hepáticos

Tratamento do abuso/dependência de substâncias na terceira idade

 
Abordagem farmacológica

 
3 principais obstáculos ao uso do arsenal utilizado em adultos:
-não estão licenciados para uso nesta faixa etária: buprenorfina, naltrexone, acamprosato, lofexidina, dissulfiram e clonidina
-Riscos: a buprenorfina nestes pacientes não deve ser utilizada por causa convulsões, problemas respiratórios e doença hepática (maior sensibilidade nos pacientes idosos). As BZD também não devem ser utilizadas pois causam problemas respiratórios e instabilidade postural. Se utilizados, o diazepam e o clordiazepóxido não devem exceder metade da dose para adultos jovens. Da mesma forma a metadona. Terapia de uso da nicotina (para os que querem deixar o cigarro) não deve ser utilizada em pacientes com doenças cardiovasculares, tireoidianas ou diabetes.
-pouca evidência da eficácia dos medicamentos nesta população

Abordagem psicológica

Álcool: Resultados semelhantes aos esperados em adultos. Melhores resultados associados a maior tempo em terapia, maior envolvimento ao final do tratamento, mulheres e a pacientes com maior rede de apoio social.

Cigarro: Evidência limitada em idosos. Parece ser tão eficaz quanto em adultos, particularmente em pacientes com problemas físicos associados ao uso. Melhores resultados para os que fizeram uso de terapia de uso da nicotina e Intervenções Breves

Opiáceos e medicamentos prescritos: Metadona: poucos estudos, mas alguma evidência de melhora.

Foto: http://spiritlodge.wordpress.com/

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Notícias em toxicodependência

O organismo pede socorro
Efeitos da ressaca passam por sensações estranhas no corpo, uma leve "amnésia" que faz o bebedor tentar se lembrar do que aconteceu na noite anterior, sem sucesso
Veículo: Paraná Online
Seção: Vida e Saúde
Data: 12/02/2010

Álcool e fumo afetam fertilidade
Estudos analisaram material genético de homens que procuraram ajuda médica juntamente com suas mulheres para a dificuldade de o casal ter filhos
Veículo: O Popular
Seção: Cidades
Data: 08/02/2010

Número de jovens viciados em internet quase dobra na China
País tem 24 milhões de dependentes no acesso à web
Veículo: R7
Seção: Tecnologia e Ciência
Data: 04/02/2010

Videogame causa dependência
Mal afeta crianças e adolescentes, que têm sintomas iguais aos do vício em drogas. Santa Casa tem tratamento grátis
Veículo: O Dia
Seção: Ciência e Saúde
Data: 03/02/2010

A evolução do diagnóstico
Primeiros relatos acadêmicos com relação à nova forma de dependência são da psiquiatra norte-americana Kimberly Young

Veículo: A Notícia
Seção: Edição Impressa
Data: 12/02/2010

Quando a internet se popularizou, na metade da década de 1990, muito se especulou com relação às consequências de seu uso. O que talvez não fosse esperado era que, ainda nessa fase de transição, casos de pessoas viciadas na rede fossem se multiplicar. Os primeiros relatos acadêmicos com relação à nova forma de dependência são da psiquiatra norte-americana Kimberly Young, que, em 1995, começou a observar os hábitos do marido de uma amiga, que ficava horas batendo papo nas salas de conversação do site America On Line (AOL). Perplexa com o potencial destrutivo da mania, Kimberly iniciou uma série de estudos sobre o assunto.

Primeiramente, foram adotados os mesmos critérios que definem o vício em drogas ou no álcool. Um par de anos depois, Kimberly percebeu que, diferentemente de tais vícios, tidos como adições, o do usuário severo da internet é um transtorno de controle dos impulsos, no qual a pessoa tem tendência a comportamentos compulsivos, como a cleptomania e a automutilação, por exemplo. “A personalidade compulsiva é muito sensível aos vícios. É comum que essas pessoas também apresentem quadros de depressão e desordens de ansiedade”, explica Kimberly.

Kimberly, hoje, é responsável pelo site www.netaddicted.com, no qual divulga artigos, testes e grupos de apoio ao usuário severo de internet. “Há quem ache que oferecer ajuda pela internet é um paradoxo. A verdade é que não temos como banir a internet da vida do indivíduo, como se faz no caso de um alcoólatra, que deve parar totalmente de beber. É como nos casos dos viciados em comida. Eles continuarão comendo após superar o vício, mas de uma nova maneira”, justifica. “Milhares de pessoas me enviam e-mails semanalmente”, admite a especialista.

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