quinta-feira, 8 de abril de 2010

Dois vídeos sobre neurociências

Indicado por um colega psiquiatra no twitter: Dois vídeos excelentes sobre como o cérebro funciona.

O cérebro, neurônios e neurotransmissores (em inglês): Como pensamos



De axônios a tratos: Uma jornada pelo circuito cerebral
(From axons to tracts: A journey through the brain's wiring )

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segunda-feira, 15 de março de 2010

A volta da psicocirugia

Eu escrevi um post sobre novas fronteiras em psicocirurgia recentemente e durante o fim de semana vi em outros blogs que Deep Brain Stimulation é um dos assuntos da moda.

O Brain Blogger (um mega blog que discute assuntos em neurociências) trouxe este post, que recomendo a leitura para quem se interessa pelo assunto:

Deep Brain Stimulation – A New Frontier in Psychiatry

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quinta-feira, 11 de março de 2010

A volta da psicocirugia

Research Blogging Awards 2010 Finalist
Este post não é para os fracos de coração:

A psicocirurgia (que na verdade nunca foi extinta) ensaia uma volta tímida em novos artigos. Cingulotomia e outros procedimentos fazem parte dos livros psiquiátricos, mas ver mesmo um procedimento destes no Brasil é raríssimo.

Um estudo recente mostrou resultados encorajadores no que tange a Deep brain stimulation (DBS) no tratamento de transtorno obsessivo compulsivo, transtornos depressivos e síndrome de Tourette refratários a tratamento. Em seu artigo de revisão na Deutsches Arzteblatt International (texto completo aqui) os autores avaliaram estudos terapêuticos de 1980 a 2009. Os achados mostram melhora do quadro nos transtornos referidos em 35 a 70% dos pacientes, com poucos efeitos colaterais, muitas vezes reversíveis ao se modular os parâmetros da estimulação.

A DBS é um tratamento cirúrgico que envolve a implantação de um pacemaker cerebral (marcapasso) que envia impulsos elétricos a partes específicas do cérebro. O procedimento já é conhecido e utilizado em pacientes com dor crônica, doença de Parkinson, tremores e distonia. Apesar disso, seu mecanismo de ação ainda é desconhecido.

O marcapasso para DBS é colocado no cérebro de acordo com o tipo de sintoma a ser tratado, sob anestesia local (em geral): faz-se um orifício de 14 mm no crânio e o eletrodo é inserido no local escolhido, com auxílio do paciente durante o procedimento.


Embora a DBS pareça oferecer novas perspectivas no tratamento de transtornos psiquiátricos graves e refratários, ainda são necessários mais estudos sobre sua eficácia, mecanismos de ação e efeitos a longo prazo.

Para muitos leitores favoráveis a opiniões anti-psiquiátricas, notícias sobre uma possível volta de procedimentos cirúrgicos ao arsenal da psiquiatria assusta. Infelizmente, muitos ainda tem sua visão desta arma terapêutica embasada nas lobotomias realizadas nas décadas de 40 em diante (Ice pick lobotomy" ou lobotomia com picador de gelo). Tanto que esse é o texto que a wikipedia traz sobre o assunto:
"As lobotomias gradualmente perderam sua utilidade com o desenvolvimento de drogas antipsicóticas e passaram a ser realizadas apenas raramente. A era da lobotomia é agora geralmente aceita como um episódio bárbaro da história da psiquiatria. (...) Hoje, a psicocirurgia pode ser um tratamento de último recurso para pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo e para transtornos alimentares no Chile, Estados Unidos, Suécia e México. A eficácia não é alta; um estudo sobre cingulotomia (que geralmente envolve lesões de 2-3 om no cíngulo, perto do corpo caloso evidenciou melhora em 5 de 18 pacientes. [4].
A psicocirurgia é legalmente praticada e controlada nos Estados Unidos, Finlândia, Suécia, Reino Unido, Espanha, Índia, Bélgica, Holanda e no Brasil, no estado de São Paulo (como último recurso)."


Acho que já escrevi antes, mas sou da opinão de que não se pode consertar um erro com outro. A psicocirurgia infelizmente foi utilizada como instrumento de tortura por muitos regimes militares e em muitos pacientes que não apresentavam necessidade de um procedimento tão drástico. Entretanto, banir completamente procedimentos cirúrgicos em psiquiatria impede que pacientes com quadros graves não responsivos às intervenções terapêuticas tentadas sejam adequadamente tratados. Os órgãos reguladores deveriam escrever um protocolo adequado para cirurgias experimentais na área psi. É claro que seriam muitos poucos os pacientes que realmente seriam indicados para avaliação e cirurgia, mas o procedimento pode fazer uma grande diferença na qualidade de vida dos mesmos.

Referências:

ResearchBlogging.org

Kuhn, J; Gründler, T O J; Lenartz, D; Sturm, V; Klosterkötter, J; Huff, W (2010). Deep Brain Stimulation for Psychiatric Disorders Deutsches Ärzteblatt International, 107 (7), 105-113 : 10.3238/arztebl.2010.0105

Kuhn J, Gaebel W, Klosterkoetter J, & Woopen C (2009). Deep brain stimulation as a new therapeutic approach in therapy-resistant mental disorders: ethical aspects of investigational treatment. European archives of psychiatry and clinical neuroscience, 259 Suppl 2 PMID: 19876671

Foto: http://biomed.brown.edu/Courses/BI108/BI108_2008_Groups/group07/bb_July2004_large.jpg

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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Deu no Blog da Saúde

Para ler a notícia na íntegra, clique na figura.


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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A (quase exclusiva) abordagem biológica das doenças mentais: até quando?

domingo, 22 de novembro de 2009

Noticias em psiquiatria



Fases da lua estao mesmo associadas a epilepsia, afinal de contas (Moon's phases ARE linked with epilepsy after all, say scientistsBy Mail On Sunday Reporter) - Daily Mail


Supersticoes sobre a influencia da Lua sobre o cerebro e em particular sobre epilepsia e crises convulsivas existem ha seculos mas de acordo com uma nova pesquisa, parece haver ligacao entre elas.

Pesquisadores descobriram que o numero de crises epilepticas - que sao relacionadas a atividade eletrica no cerebro - diminuem quando a lua esta cheia. Eles examinaram dados de crises convulsivas em uma unidade dedicada ao estudo da epilepsia, na qual cada crise era cada periodo de 24 horas era gravada para todos os pacientes. Os pesquisadores entao compararam a data de cada crise com a fase da lua. Os resultados mostram que durante fases mais cheias do ciclo lunar haviam menos crises no periodo de 24 horas. Os investigadores desconfiam que ha relacao entre o hormonio melatonina, as fases da lua e a frequencia de crises convulsivas.

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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Potenciais Relacionados a Eventos (PRE)




São alterações na atividade do eletroencefalograma (EEG) que ocorrem em resposta a acontecimentos concretos, à sua ausência ou em antecipação a atividades motoras.
Durante o EEG administram-se vários estímulos (pelo menos seis vezes) para obter os PRE. Administra-se o mesmo estímulo, várias vezes, simples e de curta duração: flashes luminosos, bips, frases muito curtas, etc.

Com o resultado do EEG em mãos, corta-se o traçado (janelas) 100 µseg antes do estímulo até 900 µseg após. Faz-se a média aritmética das janelas destes estímulos e calcula-s o PRE. Isto é uma detecção de sinal dentro de ruído.



Modalidades mais comuns

Sensoriais e somato-sensoriais

Estímulos somáticos
Estímulos visuais
Estímulos auditivos




Potencial de preparação (PP): 7.5 µv até 1 segundo antes da resposta motora. (E1 abaixo significa primeiro estímulo ou estímulo alarme)




Variação contingencial negativa (VCG): 7-9µV, aumenta com a probabilidade de um segundo estímulo (E2)
Psicopatas não produzem o rebaixamento desta onda, ela continha perto da linha base.

Racional e metodologia de obtenção

Os PRE apresentam-se sob a forma de ondas complexas (de vários componentes) que representam alterações de voltagem.

Componentes

P= polaridade +
N= polaridade -
Sub-índice numérico que indica o tempo de latência após a ocorrência dos eventos

Tipos de componentes

• Exógenos (<200ms) – são mais interferidos pelas características físicas do estímulo ou evento
• Endógenos (>200ms) – são mais interferidos pelas características psicológicas do indivíduo e da tarefa a efetuar


Significado neuropsicofisiológico


A sequência temporal dos potenciais reflete o processamento da informação no SNC, desde as estruturas e vias aferentes mais externas até os centros corticais superiores.


N<100 – recepção sensorial

N100 (2-4mv) – ateção seletiva. Maior amplitude no canal atendido em experiências de escuta dicótica (Exemplo de um experimento de escuta dicótica: lado esquero – 1 estímulo, lado direito – outro estímulo. Pede-se ao indivíduo para contar apenas estímulos do lado direito). A curva é tanto maior quanto mais difícil é a discriminação dos estímulos. Se esta curva não aparece, pode-se dizer que o indivíduo tem déficit de atenção seletiva.

N200 (Mismatch Negativity) – habitua-se o indivíduo a um estímulo e quando o estímulo falta, sua ausência causa PRE. Indicador da capacidade adaptativa do SNC a estímulos habituadores. Por exemplo, o indivíduo ouve durante uns dois minutos um bip a cada 2 segundos e de repente o estímulo é nulo: bip..bip..bip..bip..bip............bip..bip..bip..bip.........

P200 (2-4mv) – tanto maior quanto maior a relevância intrínseca dos estímulos

P300 (4-6mv) – avaliação e categorização do estímulo. É tanto maior quanto mais emociógeno ou raro for o estímulo (Oddball)

> P300 (5-7 mV) – Organização e execução de respostas.Tanto maior quanto mais difícil o reconhecimento do estímulo ou execução da tarefa

N400 (3-5mv) – apresenta maior amplitude para tarefas de processamento de estímulos verbais incorretos ou de significado ambíguo. Obtém-se através de frases muito curtas e erradas: “O leite é preto”.

Oddball – administra-se dois estímulos diferentes ao indivíduo. O primeiro é administrado 80% das vezes (estímulo comum) e o outro 20% das vezes (mais raro). Os potenciais do segundo estímulo têm amplitude maior. Isso significa que o estímulo raro foi avaliado e identificado como tal. A ausência desse processo significa capacidade adaptativa do SNC (adaptação ao estímulo).


Significado clínico, exemplos: Na esquizofrenia há atenuação do P300 e aumento do P200. No alcoolismo há atenuação do P300.

Cartografia da atividade elétrica do cérebro










Quanto maior a atividade elétrica do eletrodo, aparece mais vermelho na cartografia

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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Neurociências



1930 – primeiro registro de ondas cerebrais em humanos. Este registro é designado “eletroencefalograma” (EEG)

1965 – primeiro registro de Potenciais Evocados (PRE – Potenciais Relacionados a Eventos)

1990 – é desenvolvida a técnica de BEAM (Brain Electrical Activity Mapping), ou cartografia da atividade elétrica cerebral


ELETROENCEFALOGRAFIA



Procedimento que permite registro dos potenciais elétricos espontaneamente produzidos pelos neurônios e captados na superfície externa do crânio. Para uso clínico registra-se a alteração de tais potenciais em função de estimulação padronizada: hiperventilação, abertura ocular e fotoestimulação.

As alterações de voltagem do EEG refletem a atividade simultânea de milhões de neurônios. O EEG é mais sensível à atividade dos neurônios corticais e à atividade dos neurônios da camada V do córtex, embora também seja possível captar atividade subcortical. O EEG é particularmente sensível à despolarização dendrítica. O EEG de alta densidade capta melhor a atividade subcortical porque utiliza muito mais eletrodos.


Apesar de todas as limitações listadas acima, o EEG permite registrar parte do potencial de ação neuronal que sustenta a transmissão e processamento de informação no Sistema Nervoso Central (SNC).

Principais sistemas de controle do SNC:

SARA – formação reticular mesencefálica (estabelece ritmo à atividade cerebral)

Sistema talâmico difuso

Neo-estriado

Feixe prosencefálico medial

Núcleos da rafe e locus ceruleus – aumentam ou diminuem a atividade eletroencefálica (regulam os ciclos de sono e vigília).



Metodologia de obtenção (Sistema Internacional 10-20 ou SI 10-20)

Codificação das localizações: utilizam a inicial (ou iniciais) da área cerebral onde está localizado o eletrodo.

FP – Fronto polar (região frontal ou testa)

F – frontais (atrás dos FP)

C – centrais (fronteira entre os lobos frontal e parietal)

P – lobo parietal

T – lobo temporal

O – occipitais

Sub-índice numérico:

Números pares à direita e números ímpares à esquerda. Utiliza-se a letra “Z” para a linha mediana.

Se não entendeu, veja a figura abaixo: (é uma cabeça vista de cima)






Para aferir perfeitamente, mede-se a linha naso-occipital. O Fp deve ficar a 10% da distância total, o Fz a 10%+20% e o Cz a 10%+20%+20%. Também mede-se a distância orelha a orelha e o primeiro eletrodo temporal fica a 3 cm da orelha esquerda (T3).




Fz, Cz e Pz são os eletrodos mais utilizados para a obtenção de potenciais evocados. As 3 medidas mais importantes são Pc (parieto-central), orelha a orelha e naso-occipital.



Montagem bipolar


Todos os eletrodos estão ativos e são comparados entre si 2 a 2 mais o eletrodo terra. Serve para aferir a diferença de voltagem entre as localizações. É útil para comparações interhemisféricas, como por exemplo, estudos de lateralização hemisférica de funções (como a fala, que geralmente se localiza no lado esquerdo do cérebro).


Montagem monopolar

Todos os eletrodos ativos são comparados com 1\2 eletrodo(s) em zona neutra ou pouco ativa, além do eletrodo terra. É uma medida exclusiva do local em que cada eletrodo se encontra.

Localização dos eletrodos de referência: nariz, lóbulo das orelhas ou mastóides (só se for difícil obter boa fixação nas orelhas). Os eletrodos de referência têm que estar em local onde não seja parasitado por outras atividades (por exemplo, ação muscular pode alterar potenciais quando excitado durante o exame).



Parâmetros de Análise



Delta – 0.5 a 4 ciclos por segundo, amplitude 400-100μv

Teta – 4 a 8 ciclos por segundo, amplitude 50-100 μv

Alfa – 8-12 ciclos por segundo, amplitude 20-50 μv

Beta – 50 ciclos por segundo, amplitude 50 μv




3 parâmetros de análise: frequência, intensidade ou amplitude e morfologia. Geralmente aplicam-se filtros para os ritmos desejados sobressaírem. Cada ritmo é encontrado mais frequentemente numa área do que em outra, variam de indivíduo para indivíduo e mesmo com o horário do dia.



Delta δ   Localização Difusa
Significado Em adultos aparece só durante o sono profundo. É sinal de imaturidade do SNC se persiste além dos 3 meses de idade. Aparece em estados raros de confrontação hostil

*DESATIVAÇÃO

Teta θ
Parieto-occipital
Mais frequente em crianças. Em adultos, é encontrada em patologias, transtornos de personalidade , ocorrendo mais em psicoparas do que na população geral. Aparece em estados emocionais intensos (imaturidade emocional)

*ATIVAÇÃO CORTICAL

Alfa α
Occipito-parieto-temporal bilateral
Vista durante o funcionamento cerebral durante o dia, relacionada ao estado de vigília (repouso, olhos fechados) Irregular. Pode ser produzida por atividade física ou mental, fármacos estimulantes, estados emocionais ou estresse intenso

Beta β
Frontal, sobretudo região rolândia
Irregular. Pode ser produzida por atividade física ou mental, fármacos estimulantes, estados emocionais ou estresse intenso


Significado neuropsicofisiológico

Investigação fundamental

Lateralização:

Hemisfério esquerdo                 X                  Hemisfério direito

Tarefas verbais                                            Tarefas visuo-espaciais
processamento analítico                               processamento sintético
emoções positivas                                       emoções negativas

Personalidade: introverditos tem frequência maior no EEG que extrovertidos


Estudos de sono
Origem de fenômenos no EEG como fusos de sono e ondas δ.

Estudos clínicos
Alterações ritmicas por referência aos padrões normais são sempre sugestivas de patologia. Por exemplo, na esquizofrenia, 40-50% dos pacientes não manifestam o Reflexo Orientação (RO) face a estímulos inócuos.

*Reflexo Orientação (RO) – definido por Pavlov, há maior orientação motora e de órgãos sensoriais para a fonte de estímulo e há resposta neurofisiológica que faz parte deste reflexo. Estímulo que necessita de atenção moderada (o ritmo cerebral após aluns segundos vai lentificar).

Na esquizofrenia há inibição do Reflexo Defesa (RD) com estímulos distrativos.

*Reflexo Defesa (RD) – estímulo que causa RD leva a aumento da frequência cardíaca (FC) e dessincronização o EEG.

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